Bluesky
Bluesky prepara pagamentos entre utilizadores e deixa criar sites e jogos com IA na app Attie
A rede social descentralizada quer ganhar dinheiro sem publicidade e vai começar por permitir que se apoie quem publica. Ao mesmo tempo, a Attie passa a construir pequenos sites, jogos, questionários e sondagens a partir de um pedido escrito, para partilhar com a comunidade.

A Bluesky, a rede social descentralizada que se tornou alternativa ao X para muitos utilizadores, revelou a 15 de outubro como pretende ganhar dinheiro sem recorrer à publicidade. O presidente executivo, Toni Schneider, e a diretora de operações, Rose Wang, explicaram na conferência TechCrunch Disrupt, em São Francisco, que a rede vai ter pagamentos nos próximos meses. Na mesma ocasião, a empresa mostrou uma nova função da Attie, a sua app experimental de inteligência artificial, que passa a criar pequenos sites e jogos. Segundo o TechCrunch, a Bluesky tem hoje 47 milhões de contas registadas, embora a atividade tenha caído desde que parte dos utilizadores voltou ao X.
Pagamentos em vez de anúncios
A ideia é simples de descrever: se gostas de algo que vês na rede, podes apoiar quem o publicou com dinheiro. Schneider diz que já há pessoas a vender produtos e a angariar fundos com sucesso na Bluesky, e que o objetivo é tornar isso mais fácil. Os pagamentos devem funcionar não só na app da Bluesky, mas em todas as outras construídas sobre o mesmo protocolo, o AT Protocol.
Wang defendeu que a publicidade não é o único modelo possível para uma rede social e lembrou que a Bluesky está registada como empresa de benefício público. Por a rede assentar numa infraestrutura aberta, a empresa admite que não consegue prender os utilizadores, que podem mudar de plataforma se não gostarem das alterações, e diz que isso a obriga a prestar contas. Ainda não há datas, comissões nem lista de países para os pagamentos.
Attie passa a criar sites e jogos
A Attie foi apresentada em março como uma app separada da Bluesky para montar feeds personalizados a partir de pedidos escritos, usando o Claude, da Anthropic. Agora junta a possibilidade de criar sites, questionários, jogos, sondagens e outras experiências interativas, sem saber programar. Schneider descreveu-a como uma forma de programar com IA a pensar num grupo de pessoas e não só em quem cria.
O que se constrói fica ligado à identidade de cada um no protocolo AT, e a Attie sugere ideias com base no perfil público da pessoa na Bluesky. Os utilizadores podem usar o seu próprio modelo de IA ou modelos de pesos abertos. A vantagem, segundo Rose Wang, é que o resultado chega logo ao público da rede, em vez de ficar isolado.
Para quem usa a Bluesky em Portugal, nada muda para já. A Bluesky não indicou quando os pagamentos chegam nem se a nova função da Attie fica disponível em todos os países. A próxima novidade com prazo é o suporte a dados privados no protocolo, um dos pedidos mais frequentes dos programadores, que está em testes e deve chegar até ao fim do ano.



