Deezer
Deezer vai deixar esconder toda a música feita com IA com um botão, até ao fim do ano
A plataforma francesa recebe perto de 90 mil faixas geradas por IA por dia e já as tira das recomendações. O passo seguinte é uma opção para que nem apareçam nas pesquisas. Enquanto não chega, há uma ferramenta gratuita que mede quanta música artificial tens nas tuas playlists, mesmo noutros serviços.

O Deezer vai acrescentar à aplicação um interruptor para quem não quer ouvir música feita inteiramente por inteligência artificial. A empresa francesa anunciou a novidade a 13 de outubro e diz que a opção chega a todos os países antes do fim de 2026, o que inclui Portugal. Com ela ligada, as faixas, os álbuns e os artistas totalmente gerados por IA deixam de aparecer nos resultados das pesquisas. Se mudares de ideias, basta desligá-la.
Porque é que o Deezer quer separar a música artificial
O volume é o principal motivo. Segundo a empresa, chegam todos os dias perto de 90 mil faixas totalmente geradas por IA, o que nos dias de pico ultrapassa metade de tudo o que é carregado na plataforma. Ainda assim, estas músicas representam entre 1% e 3% das reproduções. O Deezer diz que, em 2025, até 85% das reproduções destas faixas eram fraudulentas, feitas para recolher direitos de autor, e que exclui essas reproduções dos pagamentos.
A ferramenta de deteção do Deezer funciona desde o início de 2025 e reconhece música criada com geradores como o Suno e o Udio. Entre janeiro de 2025 e agosto de 2026, a empresa retirou mais de 42 milhões de faixas das recomendações automáticas e das playlists editoriais. Desde junho de 2025, os álbuns com este tipo de conteúdo são assinalados na app, e mais de 14 milhões já receberam a etiqueta. A 15 de outubro, a revista TIME incluiu a ferramenta na lista das melhores invenções de 2026, segundo o Deezer.
O que o filtro faz e o que deixa passar
O interruptor aplica-se apenas à música totalmente gerada por IA. O Deezer explica que as canções em que a IA foi só uma ajuda dentro de um processo criativo humano têm tratamento diferente e não são escondidas. A empresa justifica a novidade com um estudo que encomendou à Ipsos em novembro de 2025, em oito países, segundo o qual 45% dos utilizadores de streaming querem poder filtrar este tipo de música. No mesmo inquérito, 97% das pessoas não conseguiram distinguir duas canções de IA de uma feita por pessoas num teste às cegas.
Outros serviços seguiram caminhos diferentes. Segundo o TechCrunch, o Bandcamp proibiu a música feita com IA e o Tidal deixou de pagar a quem a carrega, enquanto o Spotify se limita a assinalá-la. O YouTube Music começou a 14 de outubro a mostrar etiquetas no ecrã de reprodução, segundo o 9to5Google.
O que podes fazer já
Enquanto o interruptor não chega, o Deezer tem uma ferramenta gratuita, o AI Music Detector, que analisa as tuas playlists e mostra que parte da música foi gerada por IA. Funciona com mais de 20 serviços de streaming, está disponível em 27 línguas e não exige conta no Deezer. Escolhes o serviço, ligas a conta e esperas pelo resultado. O Deezer não indicou uma data exata para o interruptor nem se chega ao mesmo tempo às apps para telemóvel, ao computador e à versão web.



