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Nove em cada dez Unidades de Saúde Familiar ficaram sem as aplicações informáticas três ou mais vezes num ano
Um estudo da associação das Unidades de Saúde Familiar mostra que todas as que responderam tiveram falhas nas aplicações clínicas e que a satisfação com o eVacinas caiu a pique depois da versão 2.0, em plena época de vacinação da gripe. Em 15,7% dos casos, a reposição demorou mais de um dia.

As aplicações informáticas que os médicos, enfermeiros e secretários clínicos usam nos centros de saúde falham com frequência e, cada vez mais, demoram a voltar. É uma das conclusões do estudo anual da Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar (USF-AN), apresentado na sexta-feira, 16 de outubro, no 17.º Encontro Nacional das USF, em Gondomar. O questionário foi respondido por 541 coordenadores entre 19 de junho e 4 de agosto, o que corresponde a 76% das 712 unidades que existiam no arranque do estudo e ao maior número de participantes da série.
Falhas em todas as unidades
Nenhuma das USF que responderam escapou a pelo menos uma indisponibilidade das aplicações no ano avaliado. Em 91,1% das unidades as falhas aconteceram três ou mais vezes e, dentro deste grupo, 15,7% contaram mais de 50 episódios. A percentagem de unidades que esperaram mais de um dia até recuperar o acesso subiu de 10% para 15,7%, e 98,7% dos coordenadores dizem que as interrupções afetaram a qualidade dos cuidados, o valor mais alto desde que o indicador é medido.
Segundo o presidente da USF-AN, André Biscaia, citado pelo Pplware, quando está tudo informatizado e não há papel de reserva, uma falha que dure um dia obriga as equipas a "trabalhar no escuro" e cria um risco clínico para o utente. O problema não está nos equipamentos: 73% dos coordenadores consideram adequados os computadores, mas só 22% concordam que as aplicações comunicam bem umas com as outras.
eVacinas em queda na época da gripe
O estudo mede também a satisfação com os programas que as equipas usam no dia a dia. O caso mais marcado é o do eVacinas, onde se registam as vacinas dadas, historicamente o mais bem avaliado: a satisfação caiu de 61,9% para 43,7%, a maior descida de sempre. A USF-AN admite que a quebra esteja ligada à versão 2.0, lançada em abril de 2026, embora o relatório não o demonstre. Biscaia disse ao Pplware que, em plena campanha de vacinação contra a gripe, o sistema está muitas vezes lento ou simplesmente não funciona, o que leva os enfermeiros a vacinar sem confirmar se a pessoa já foi vacinada ou se tem alguma restrição.
O SClínico Central, o programa de registo clínico, também perdeu apoio: a satisfação desceu de 36,1% para 28,4% e a insatisfação chegou aos 48,5%. Na Prescrição Eletrónica Médica, que gera as receitas, a satisfação recuou de 48,4% para 43,6%. O apoio informático dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) só é bem avaliado por 28,5% dos coordenadores, contra 53,7% para o apoio de proximidade das Unidades Locais de Saúde.
Para resolver o problema, a USF-AN propõe um Registo de Saúde Eletrónico único, centrado no utente, testes às novas versões das aplicações antes de chegarem às unidades e correção mais rápida dos erros comunicados. Até ao fecho deste artigo não era conhecida uma resposta dos SPMS ao estudo.



