Telecomunicações
Vodafone contesta saída forçada da Huawei da rede de transporte e avisa que a troca obriga a cortes de serviço
O presidente executivo da Vodafone Portugal, Luís Lopes, diz que a parte da rede que leva os dados por fibra ótica não tem o mesmo risco que o núcleo ou as antenas. A operadora já está a substituir os equipamentos, mas não diz quanto vai gastar nem se avança para tribunal.

A Vodafone Portugal não concorda com a decisão que a obriga a retirar os equipamentos da Huawei da sua rede de transporte, mas já começou a substituí-los. A posição foi assumida a 15 de outubro pelo presidente executivo, Luís Lopes, num encontro com jornalistas na sede da empresa, em Lisboa, citado pela Lusa e pelo Observador. O gestor deixou um aviso que interessa aos clientes: a troca de equipamentos obriga a suspender o serviço enquanto as intervenções decorrem.
O que está em causa
A rede de transporte é a parte da infraestrutura que leva grandes volumes de dados por fibra ótica entre os vários pontos da rede. A tecnologia usada chama-se WDM (multiplexação por divisão de comprimento de onda) e permite enviar vários sinais pela mesma fibra, cada um num comprimento de onda diferente. A Comissão de Avaliação de Segurança, que funciona no âmbito do Conselho Superior de Segurança do Ciberespaço, decidiu que esta rede não pode incorporar componentes de fornecedores considerados de alto risco, o que na prática atinge a Huawei.
Segundo Luís Lopes, o denominador comum na Europa foi afastar estes fornecedores do núcleo da rede móvel e dos equipamentos de rádio, e Portugal está entre os países que foram mais longe e incluíram a rede de transporte. O gestor defende que essa parte "não tem o mesmo grau de risco", que as medidas devem ser proporcionais ao risco identificado e que a empresa não teve acesso à análise detalhada que fundamentou a decisão. Acrescentou, segundo o Observador, que há poucos fornecedores deste tipo de equipamento, o que pode deixar os operadores dependentes de um só.
Contestação, custos e tribunal
A Vodafone contestou "nos fóruns competentes", incluindo junto do Governo, mas ainda não decidiu se avança para tribunal nem se pede uma indemnização ao Estado. Também recusou dizer quanto vai investir na substituição. A MEO já seguiu esse caminho e reclama em tribunal 82 milhões de euros pelos prejuízos que atribui à exclusão da Huawei do 5G, sem pedir a anulação da decisão.
As restrições começaram em 2023, com uma deliberação da mesma comissão sobre o risco de usar nas redes 5G equipamentos de fornecedores de fora da União Europeia, da NATO ou da OCDE, sediados em países cuja lei permita ao governo interferir nas suas atividades no estrangeiro. A deliberação não nomeava empresas, e a Huawei contestou-a com uma ação administrativa. Um relatório da GSMA Intelligence, citado pela Lusa, estima que substituir estes fornecedores nas redes móveis, fixas e de transporte da União Europeia pode custar aos operadores entre 30 e 40 mil milhões de euros.
A Vodafone não indicou quando terminam os trabalhos nem que zonas do país podem ter interrupções de serviço.



