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Carro elétrico no frio: quanto perde de autonomia e porque deves pré-aquecer a bateria antes de carregar
O maior teste de inverno a elétricos, feito na Noruega, mediu perdas médias de 38% face à autonomia anunciada a temperaturas até 32 graus negativos, e de 18% num inverno mais ameno. Os mesmos testes mostram que pré-aquecer a bateria faz toda a diferença no carregamento rápido.

Com a chegada do frio, quem tem carro elétrico começa a ver a autonomia encolher no painel. Os números mais completos sobre o fenómeno vêm da Noruega, onde o automóvel clube NAF e a revista Motor testam duas vezes por ano a autonomia e o carregamento dos elétricos à venda no país. No teste de inverno deste ano, feito em janeiro com temperaturas entre 7 e 32 graus negativos, os 24 carros perderam em média 38% da autonomia anunciada no ciclo WLTP. Foi o teste mais frio de sempre do El Prix.
Quanto se perde, e porquê depende da temperatura
O valor médio esconde diferenças grandes entre modelos e entre condições. No teste de inverno de 2025, feito com temperaturas entre 6 graus negativos e 8 positivos, a perda média foi de 18%. Com frio extremo, o desvio mais do que duplicou. O Lucid Air, que anuncia 960 km, ficou-se pelos 519 km, uma perda de 46%, mas também foi o carro que passou mais tempo nas zonas mais geladas do percurso.
Na outra ponta, o Hyundai Inster esteve entre os dois carros com menor perda, 29% face aos 360 km anunciados, e parou com 16 graus negativos. A responsável pelo teste, Kjersti Stuestøl, resume que tanto a temperatura como a tecnologia de cada carro pesam no resultado.
A NAF faz ainda uma conta mais próxima do uso real. Como quase ninguém conduz até a bateria acabar, mediu quantos quilómetros cada carro tinha feito ao chegar aos 20% de carga. A maioria estava perto de metade da autonomia anunciada: um Tesla Model Y tinha feito 307 km (49% do valor WLTP), um Kia EV4 325 km (55%) e um Skoda Elroq RS 278 km (53%).
Pré-aquecer a bateria muda o carregamento
O frio também abranda o carregamento, porque a bateria só aceita bem a corrente quando está à temperatura certa. No teste de carregamento, feito à volta de 10 graus negativos, os carros começaram o pré-aquecimento da bateria duas horas antes de chegarem ao posto, depois de uma noite ao relento a 25 graus negativos. O resultado: 14 dos 24 carros carregaram dos 10 aos 80% praticamente no tempo anunciado pela marca e seis fizeram-no ainda mais depressa.
O mais rápido foi o Xpeng X9, que passou dos 10 aos 80% em 12 minutos e 5 segundos, com uma potência média de 392 kW.
O que fazer na prática
O principal conselho da NAF é planear com margem. Para viagens longas com frio intenso, à volta dos 20 graus negativos ou menos, conta com metade da autonomia anunciada até ao momento em que vais querer carregar. Em condições mais suaves, como as do teste de 2025, a perda média ficou-se por menos de um quinto.
Antes de uma paragem num carregador rápido, liga o pré-aquecimento da bateria com antecedência; o manual do carro explica como se ativa no teu modelo. Se estás a escolher carro, confirma se ele tem esta função: segundo a NAF, ainda há elétricos à venda que não a trazem.



