Salão de Paris
Citroën 2 CV regressa como elétrico: o concept que antecipa um modelo europeu de 15.000 euros
Mede 3,76 metros, quer pesar uma tonelada e aponta para um preço de entrada a rondar os 15.000 euros. O protótipo que a Citroën levou ao Salão de Paris antecipa um elétrico de série que, segundo o diretor-geral da marca, Xavier Chardon, não será uma réplica do passado.

Um dos automóveis mais populares da história europeia vai ter um sucessor elétrico. A Citroën apresentou no Salão de Paris o 2 CV Concept, um protótipo de 3,76 metros que recupera a silhueta do modelo original. A marca descreve-o como a visão de um automóvel de série que será revelado nos próximos dois anos, para chegar à gama até 2028. O objetivo é um preço de entrada a rondar os 15.000 euros, com produção na Europa.
Na gama, ficará entre o Ami, o quadriciclo elétrico da marca, e o C3. O futuro modelo deverá enquadrar-se nas regras europeias para pequenos elétricos, o chamado E-Car, uma categoria que a Comissão Europeia propôs em dezembro de 2025. Para lá chegar, a Citroën aposta na leveza: o peso-alvo é de cerca de uma tonelada, o que permite uma bateria mais pequena e mais barata, com autonomia pensada para o dia a dia. Os números ficam por aqui. A marca não divulgou a capacidade da bateria, a autonomia, a potência nem os tempos de carregamento, e os 15.000 euros são uma meta, não um preço de tabela.
Simples por fora, sem tabliê por dentro
O desenho junta as referências esperadas a soluções pensadas para baixar custos. Os faróis redondos destacam-se da carroçaria, as jantes são de aço, com 18 polegadas, e o tejadilho é de lona, como no original. As superfícies planas e os para-choques separados da carroçaria, que se substituem de forma independente, foram escolhidos a pensar na produção em série e na facilidade de reparação. Com 3,76 metros, o concept é mais curto do que o 2 CV de 1948.
Lá dentro não há tabliê tradicional. No lugar dele está um cilindro onde se fixam o volante de um só raio, um comando único, o seletor de marcha e um pequeno ecrã com a informação essencial, a que se junta um ecrã tátil quadrado de oito polegadas. O rádio é uma coluna destacável que se pode levar para fora do carro, os bancos têm um padrão tartan em tons de amarelo e a consola central deu lugar a um cesto amovível. Os compartimentos das portas foram desenhados para levar ovos, uma piscadela de olho ao caderno de encargos do modelo original.
Um nome com história em Portugal
Xavier Chardon, diretor-geral da Citroën, diz que a ideia não é replicar um carro do passado, mas recuperar o que o tornou único: a simplicidade, o preço acessível e a liberdade que dava a quem o conduzia. No para-brisas do concept estão inscritos três números, 48, 90 e 26, que marcam o lançamento do 2 CV em 1948, o fim da produção em 1990 e a apresentação deste protótipo. O do meio diz respeito a Portugal: foi da fábrica de Mangualde que saiu o último 2 CV, a 27 de julho de 1990.
Não há preço nem data para o mercado português. Só quando a Citroën mostrar a versão de produção se saberá quanto do concept chega à estrada.



