Híbridos
Híbridos feitos na China vão ter limite de 350 mil por ano na UE: o que pode mudar em Portugal
Bruxelas e Pequim acertaram uma quota para os híbridos e híbridos plug-in fabricados na China, que deve arrancar no início de dezembro. Quando o limite se esgotar, a alfândega deixa de desalfandegar carros. Os elétricos e os modelos chineses montados na Europa ficam de fora.

A União Europeia vai limitar a 350 mil por ano a entrada de carros híbridos e híbridos plug-in fabricados na China. O entendimento resultou da visita a Pequim do comissário europeu do Comércio, Maroš Šefčovič, no início de outubro, e os números foram depois revelados por responsáveis da Comissão Europeia, que falaram sob anonimato. Segundo a Bloomberg, citada pela Lusa, a medida pode entrar em vigor a 1 de dezembro. O limite sobe 6% em cada ano e dura quatro anos. O texto legal ainda não foi publicado.
Como vai funcionar a quota
Bruxelas vai usar uma medida de salvaguarda prevista nas regras da Organização Mundial do Comércio, que serve para travar uma subida súbita de importações e não exige uma investigação longa. Ao contrário do que aconteceu em 2024 com os elétricos chineses, que passaram a pagar taxas extra, aqui não há direitos aduaneiros adicionais. De acordo com a Borderlex, quando a quota chinesa se esgotar, a alfândega deixa simplesmente de desalfandegar esses carros. A Agence Europe, citada pela EU Perspectives, indica que a medida começa por ser provisória durante 200 dias e depois vai a votos dos Estados-membros.
A quota abrange os híbridos convencionais e os plug-in. Os elétricos a bateria e os carros só a gasolina ou gasóleo ficam de fora. O que conta é o país onde o carro é fabricado, não a marca: um modelo chinês montado numa fábrica da Hungria não entra nas contas, e um híbrido de uma marca europeia produzido na China conta para o limite. As duas partes leem o número de forma diferente. A Comissão compara-o com os 800 mil híbridos chineses que esperava este ano e fala num corte de mais de metade. O Ministério do Comércio chinês prefere comparar com 2025, quando entraram na UE 302 mil, segundo o Eurostat. Em troca, a China vai eliminar taxas sobre algumas peças de automóvel e reduzir para metade os direitos sobre calçado, gelados e azeite europeus, de acordo com a Lusa.
O que pode mudar em Portugal
Os híbridos pesam no mercado português. Em setembro, segundo a Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE), os híbridos representaram 12,57% e os híbridos plug-in 10,56% de todos os veículos novos matriculados, atrás dos elétricos, com 35,89%, e da gasolina. Não há dados públicos sobre quantos desses híbridos vêm de fábricas chinesas. Na Europa, segundo a associação de fabricantes ACEA, as marcas chinesas tinham no primeiro semestre 14% das vendas de híbridos e 25% das de híbridos plug-in.
Ainda não se sabe como a China vai repartir a quota entre as marcas, nem como as unidades serão distribuídas pelos países. Um corte na oferta pode traduzir-se em menos modelos disponíveis ou prazos de entrega mais longos, mas nenhuma marca anunciou mudanças de preços em Portugal. Para quem tem uma encomenda feita, a dúvida a esclarecer com o concessionário é onde o carro é fabricado e quando chega, já que a medida deve aplicar-se a partir de dezembro.



