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Híbridos plug-in

Híbridos plug-in emitem seis vezes mais CO2 do que o anunciado e custam 680 euros a mais por ano, diz a T&E

Um relatório da Transport & Environment, feito com dados da Agência Europeia do Ambiente, conclui que os híbridos plug-in vendidos em 2024 emitem na estrada cerca de seis vezes o CO2 oficial. A diferença sai do bolso de quem conduz e está no centro da negociação das regras europeias.

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Toyota Prius plug-in cinzento estacionado num lugar de carregamento pintado de verde, com o cabo ligado na lateral traseira
Imagem de arquivo. Gogerr / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Os híbridos plug-in, que juntam um motor a combustão a uma bateria que se carrega na tomada, gastam e poluem na estrada muito mais do que dizem os números oficiais. Um relatório da organização europeia Transport & Environment (T&E), divulgado a 15 de outubro e feito com dados da Agência Europeia do Ambiente, conclui que os modelos matriculados em 2024 emitiram em média cerca de seis vezes o CO2 anunciado. Nos carros de 2023, a diferença era de cinco vezes. Segundo as contas da T&E, isso traduz-se em cerca de 680 euros por ano em combustível a mais, em média, face ao que o consumo oficial faria esperar.

Onde está a diferença

Nos testes de homologação, os híbridos plug-in aparecem com emissões 83% abaixo das dos carros a gasolina, a gasóleo e dos híbridos sem tomada. Na estrada, a vantagem encolhe para 14%. Parte da explicação, diz a T&E, é que o motor de combustão entra em funcionamento em cerca de um terço dos quilómetros feitos em modo elétrico. O ICCT, outro centro de estudos, já tinha chegado no verão a uma conclusão parecida com dados de cerca de oito milhões de carros, apontando como causas o uso elétrico abaixo do previsto, o recurso frequente ao motor a combustão e o peso extra de ter dois sistemas de propulsão.

O ponto central é o chamado fator de utilização, a percentagem de quilómetros que as regras assumem que um híbrido plug-in faz em modo elétrico quando se calculam as emissões oficiais. A União Europeia começou a corrigi-lo em 2025 e 2026, e a T&E diz que isso já levou as marcas a pôr baterias maiores. No caso do Volkswagen Tiguan, a autonomia elétrica passou de 55 para 119 km, o que manteve as emissões oficiais em 36 g/km, contra 32 g/km antes da correção. A organização analisou os 20 modelos mais vendidos, que valem 51% do mercado de 2025.

A correção de novembro e o que muda para ti

A próxima correção deve começar em novembro de 2026, mas a T&E diz que a Alemanha quer congelá-la nas negociações com a França sobre as regras do setor automóvel. Se isso acontecer, as emissões reais continuarão subestimadas em 56%, segundo as contas da organização. "Os condutores merecem a verdade", afirma Lucien Mathieu, diretor da área automóvel da T&E.

Em Portugal, o tema mexe com impostos. Segundo o guia da Cuatrecasas à proposta de Orçamento para 2026, os híbridos plug-in homologados pela norma Euro 6e-bis passam a contar como tal na tributação autónoma das empresas com emissões abaixo de 80 g/km, e a redução de ISV exige pelo menos 50 km de autonomia elétrica. Para quem já tem um destes carros, a conclusão dos estudos é a mesma: o consumo anunciado só se aproxima da realidade se o carregares com frequência e fizeres a maior parte dos trajetos em modo elétrico.

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