Cibercrime
Chaves de API roubadas da OpenAI, Anthropic e Google pagam agentes de IA que procuram falhas em servidores
Uma ferramenta vendida em fóruns criminosos cola chaves alheias num painel e manda um agente de IA procurar falhas em servidores. Quem perdeu a chave paga a fatura. O estudo da Bitsight a 16 fóruns mostra também centenas de falsos plugins de IA no GitHub a espalhar malware.

Quem programa com modelos de IA usa chaves de API, códigos que dão acesso pago aos serviços da OpenAI, da Anthropic ou da Google. Nos fóruns criminosos, essas chaves passaram a ter um novo uso: alimentar ferramentas que procuram falhas em servidores sem que o atacante gaste um cêntimo. O caso consta de um estudo da equipa de informações sobre ameaças da Bitsight, que analisou milhares de publicações em 16 fóruns clandestinos entre fevereiro e agosto de 2026, e foi descrito na sexta-feira, 16 de outubro, pela Help Net Security.
Um painel, muitas chaves roubadas
A ferramenta chama-se MONST3R-AI e é anunciada como uma plataforma autónoma de testes de intrusão. O comprador cola chaves roubadas num painel, define um teto de gastos e aponta o agente de IA a uma lista de alvos. O vendedor não tem nenhum modelo próprio: usa os dos fornecedores através das chaves de outras pessoas, o que lhe permite contornar as proteções de segurança dos modelos e passar os custos para as vítimas.
O vendedor garante ter encontrado 1.072 falhas em 199 servidores analisados, mas o número vem do seu próprio painel e a Bitsight não o consegue confirmar. Mesmo assim, a empresa considera que bastaria uma pequena parte ser verdadeira para a ferramenta ser eficaz e espera que as chaves roubadas passem a ser vendidas só para alimentar este tipo de programas.
A IA ganha espaço nos fóruns
Segundo o estudo, as menções a agentes de IA, à injeção indireta de instruções e ao MCP, o protocolo que liga os assistentes de IA a outras ferramentas, subiram 67% no período analisado. A conversa sobre IA cresceu 45%, enquanto as referências a ransomware caíram 49%. Os piratas mais experientes estão também a trocar os serviços comerciais por modelos abertos, como o GLM e o DeepSeek, que correm em servidores alugados sem ninguém a vigiar os pedidos, e alguns retiram eles próprios as proteções de segurança dos modelos.
O outro risco está nos plugins. Os fóruns analisam a campanha FakeGit, atribuída ao grupo Water Kurita, com cerca de 7.600 repositórios falsos no GitHub a espalhar o malware SmartLoader. Mais de 800 faziam-se passar por competências para agentes de IA ou servidores MCP, incluindo uma imitação de um "Docker MCP Gateway", para aparecerem nos registos públicos de ferramentas de IA.
O que verificar
Se tens chaves de API de serviços de IA, a primeira recomendação da Bitsight é procurar se alguma ficou exposta, por exemplo em código publicado, e tratar uma fuga com a mesma gravidade de uma credencial de serviços na nuvem. Isso passa por revogar a chave e criar uma nova.
A empresa aconselha ainda a confirmar a origem de cada servidor MCP ou plugin antes de o instalar e a impedir que agentes de programação locais acedam a pastas sensíveis ou corram comandos sem aprovação humana. As empresas devem conhecer o ritmo normal de entradas nas contas de serviços como o Notion, o Slack e o GitHub, porque um agente a controlar um browser trabalha a uma cadência diferente da de uma pessoa.



