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Criptomoedas

Ledger confirma carteiras de criptomoedas adulteradas com chip espião: o que fazer se tens uma

A fabricante confirmou que carteiras físicas vendidas por um revendedor do Sudeste Asiático traziam um implante que roubava a frase de recuperação e a enviava por rede móvel. Os aparelhos apareciam em lojas online por quase metade do preço. A verificação oficial de autenticidade não deteta este tipo de alteração.

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Duas carteiras físicas Ledger Nano em preto e cinzento, vistas de perto, com o ecrã a mostrar ícones de criptomoedas
Carteiras Ledger Nano, o tipo de aparelho visado pela adulteração. Ledger

A Ledger, uma das marcas mais conhecidas de carteiras físicas para criptomoedas, confirmou que alguns aparelhos distribuídos por um revendedor do Sudeste Asiático foram adulterados com um chip espião que esvaziava as contas dos compradores. O caso, relatado pelo BleepingComputer, envolve a CryptoBilis, uma loja com sede na Malásia. Segundo investigadores que analisaram unidades adulteradas, compradas em plataformas de venda online no Japão, os aparelhos chegavam a custar quase metade do preço normal.

Como funciona o implante

Uma carteira física guarda as chaves que dão acesso às criptomoedas e é configurada com uma frase de recuperação, um conjunto de palavras que permite repor tudo noutro aparelho. Quem tiver essa frase fica com os fundos. De acordo com os investigadores que desmontaram unidades do modelo Nano X, o implante regista o que aparece no ecrã e os botões que carregas para descobrir a frase e envia-a ao atacante por rede móvel, através de um eSIM minúsculo e de um módulo LTE.

O estúdio Tibane Labs encontrou duas variantes. Numa, a bateria original foi trocada por outra mais pequena para abrir espaço ao circuito. Na outra, mais avançada, o implante cabe debaixo do ecrã e usa a bateria original. Em ambas, o que denuncia a alteração é o fio da antena. Os investigadores notam que as placas foram fabricadas em série e não montadas à mão.

O que a Ledger já confirmou

A 9 de outubro, a empresa abriu uma investigação e pediu à CryptoBilis que suspendesse as vendas. No dia seguinte confirmou a adulteração em pelo menos um aparelho e, a 11, indicou que todas as queixas conhecidas estavam ligadas a esse revendedor, descrevendo o volume afetado como limitado. Não há indícios de que outros revendedores estejam a vender carteiras comprometidas, e ainda não se sabe em que ponto da cadeia os aparelhos foram alterados.

Se tens uma Ledger

Se a compraste no site da marca ou a um revendedor autorizado, nada indica que estejas em risco. Se veio de um vendedor de marketplace, sobretudo com um desconto grande, a recomendação da Ledger para os aparelhos da CryptoBilis serve de guia: não o configures e, se já o fizeste, transfere os fundos para uma carteira nova, criada com uma frase de recuperação nova.

Há um pormenor a reter. A verificação de autenticidade da Ledger, o Genuine Check, não deteta implantes acrescentados quando o chip de segurança original se mantém intacto, como a própria empresa avisa. Um resultado positivo nesse teste não garante, por isso, que o aparelho não foi mexido.

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