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Mais de metade dos incidentes informáticos na UE são ataques para deitar sites abaixo, diz a ENISA
O retrato anual da agência europeia de cibersegurança analisou 8.257 incidentes de 2025. Os ataques de negação de serviço lideram em número, mas o ransomware continua a ser o que mais estragos faz no curto prazo, e a inteligência artificial já faz parte das ferramentas dos atacantes.

A ENISA, a agência da União Europeia para a cibersegurança, publicou a 22 de setembro o retrato anual das ameaças informáticas na Europa. O relatório ENISA Threat Landscape 2026 analisa 8.257 incidentes registados ao longo de 2025, recolhidos sobretudo em fontes abertas e completados com informação dos Estados-membros. Os ataques de negação de serviço, conhecidos pela sigla DDoS, foram 51,3% do total, e os acessos não autorizados a sistemas 39,5%.
Quem ataca e porquê
A maior fatia dos incidentes, 57,3%, tem motivação ideológica. São sobretudo campanhas de DDoS lançadas por grupos hacktivistas contra serviços acessíveis ao público, entidades essenciais e organizações associadas ao apoio a países como a Ucrânia ou Israel, num período marcado pela guerra da Rússia contra a Ucrânia e pela escalada no Médio Oriente. Um ataque destes inunda um site com pedidos até o deixar inacessível durante algum tempo, e em regra não envolve roubo de dados.
O crime com fins financeiros pesa 29,3% e é, segundo a agência, o que causa mais dano no curto prazo, com o ransomware à frente. Os grupos continuam a extorquir as vítimas com a ameaça de publicar os dados roubados, e a indústria, os serviços às empresas e a administração pública estão entre os setores mais afetados. A espionagem atribuída a Estados fica pelos 5,9%: os grupos ligados à Rússia visam sobretudo governos e diplomacia, e os ligados à China mostram interesse continuado nos transportes, incluindo o setor marítimo.
Como entram nos sistemas
O phishing representa 77,8% dos casos de engenharia social, cada vez mais apoiado em kits prontos a usar e em serviços vendidos a outros criminosos. A ENISA destaca o crescimento de duas técnicas. Uma é o ClickFix, em que uma página falsa convence a vítima a copiar e executar um comando no próprio computador. A outra é o smishing, o phishing por SMS.
Quando o objetivo é entrar num sistema, a exploração de falhas de software é a via mais usada e corresponde a 60,4% dos casos de acesso não autorizado. Contam tanto as falhas ainda sem correção como as que já têm atualização disponível e continuam por instalar. O relatório sublinha ainda o peso das dependências digitais: um ataque a um fornecedor de software ou de serviços na nuvem acaba por chegar a muitas organizações de uma vez.
O que isto muda para ti
A administração pública foi o setor mais atingido, com 31,8% dos incidentes, seguida dos serviços às empresas (8,5%), dos transportes (8%), da indústria (6,9%) e das finanças e banca (5,6%). O relatório olha para a União como um todo e não traz um retrato específico de Portugal, mas as técnicas descritas são as mesmas que chegam às caixas de correio e aos telemóveis por cá. Desconfiar de SMS com ligações, nunca colar comandos que um site te peça para executar e manter os equipamentos atualizados responde diretamente aos três vetores que o documento põe em destaque.
Para 2026, a ENISA considera muito provável que a inteligência artificial apoie cada vez mais os ataques e admite que passe a executar diretamente várias das suas fases, com experiências sem intervenção humana. A agência avisa também que os modelos mais avançados baixam a fasquia de entrada para quem quer começar a atacar.



