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Midnight Mimosa: telemóveis Android baratos chegam às lojas com malware instalado de fábrica

A Bitdefender encontrou em milhares de telemóveis de baixo custo uma aplicação de sistema que instala outras às escondidas, simula cliques em anúncios e tem permissão para ler SMS. Vem no firmware e o dono não a consegue desinstalar.

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Telemóvel Android pousado numa superfície escura, com o tabuleiro do cartão aberto e texto do modo de recuperação no ecrã
O componente malicioso está na partição de sistema, fora do alcance da desinstalação normal. Kelvin Valerio / Pexels

Comprar um telemóvel Android muito barato numa loja online pode trazer um extra que não vem na caixa. Os investigadores da Bitdefender descreveram a 8 de outubro uma campanha a que chamaram Midnight Mimosa, encontrada em equipamentos de baixo custo de várias marcas, todos construídos sobre plataformas MediaTek. O problema está numa aplicação de sistema que já vem no firmware quando o telemóvel é ligado pela primeira vez. Ao longo de cerca de dois anos, a empresa viu-a em milhares de aparelhos, em mais de 150 países.

Essa aplicação aparece com o nome genérico "System", não tem ícone e usa identificadores como com.android.system.lite ou com.android.sys.prot. Tem privilégios de sistema, o que lhe permite instalar e remover outras aplicações sem perguntar, dar-lhes permissões e carregar código a partir de servidores remotos. O objetivo visível é dinheiro. O componente instala falsas apps de meteorologia, de bloqueio de aplicações ou de notas, que carregam anúncios verdadeiros numa janela invisível, e transforma o telemóvel num ponto de passagem para tráfego de terceiros, aquilo a que se chama um proxy residencial.

O que mais inquieta os investigadores é o que o componente pode fazer e ainda não fez. Ativa sozinho os serviços de acessibilidade e de leitura de notificações e tem permissão para ler e enviar SMS, o que dá acesso a códigos de autenticação e a mensagens de outras aplicações. A Bitdefender não viu estas capacidades a ser usadas, mas nota que ficam à disposição de quem controla os servidores.

Que telemóveis estão em causa

Não há uma lista fechada de modelos. Os dois com mais deteções são de marcas reais, o Doogee S200 X e o Cubot KingKong X, nomes que já tinham aparecido num incidente com uma atualização de firmware relatado no fórum XDA. Há também contrafações: aparelhos que se apresentam como "S25 Ultra", "S26 Ultra", "i17 Pro Max" ou "Magic 15 Max" e que por dentro são hardware MediaTek de gama baixa. Parte do firmware afetado está assinada com certificados em nome da Shenzhen Zediel, mas a Bitdefender sublinha que isso não prova que a empresa conhecesse o malware, e admite não saber em que ponto da cadeia de fabrico e distribuição ele é introduzido.

A distribuição geográfica é liderada pelo México, França e Itália, seguidos dos Estados Unidos, Alemanha, Brasil e Espanha. Portugal não é referido no relatório. Para os autores, este padrão é o de equipamento vendido em mercados online internacionais, e não o de uma operadora ou de um retalhista de um só país. Quem encomenda nessas plataformas a partir de Portugal corre o mesmo risco.

O que podes fazer

Desinstalar não resolve, porque o componente está na partição de sistema. Segundo a Bitdefender, limpar o telemóvel exige uma intervenção ao nível do firmware ou a desativação do componente por ADB, a ferramenta de linha de comandos do Android, e nenhuma das duas está ao alcance da maioria das pessoas. A correção duradoura depende dos fabricantes e das plataformas que vendem estes equipamentos. O relatório não inclui qualquer reação das marcas nem da Google.

Se tens um telemóvel de uma marca pouco conhecida, comprado muito abaixo do preço habitual, vale a pena comparar a lista de aplicações, incluindo as de sistema, com os nomes publicados no relatório da Bitdefender e ver se o fabricante lançou alguma atualização. Enquanto houver dúvida, o mais prudente é não usar esse aparelho para a aplicação do banco nem para receber códigos por SMS.

A investigação encontrou ainda o mesmo código de fraude publicitária em 13 aplicações da Google Play, de categorias como meteorologia, bloqueio de apps, notas, extração de texto de imagens e edição de áudio. Têm menos poderes do que a versão pré-instalada, mas ligam-se aos mesmos servidores, e os identificadores também constam do relatório.

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