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Sextorsão: o que fazer se te ameaçarem com imagens íntimas e onde denunciar em Portugal

Nos EUA, uma empresa que prometia travar chantagistas cobrou pelo menos 60 milhões de dólares a vítimas sem fazer o que vendia, acusa o regulador. Em Portugal, o Ministério Público recebeu 86 denúncias destas burlas em 2025. Há ajuda gratuita e ferramentas para impedir que as imagens circulem.

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Mulher deitada num quarto às escuras, com o rosto iluminado pelo ecrã do telemóvel que segura
Imagem de arquivo. SHVETS production / Pexels

A Comissão Federal do Comércio dos EUA (FTC) apresentou na terça-feira, 13 de outubro, uma queixa contra a Digital Forensics Corporation, uma empresa do Ohio que se anunciava como especialista em travar chantagistas sexuais. Segundo o regulador, citado pelo The Record, a empresa e o dono, Dmitry Belkin, cobraram pelo menos 60 milhões de dólares a vítimas de sextorsão entre fevereiro de 2023 e julho de 2026, por ajuda que muitas vezes não chegou. Um tribunal federal suspendeu a atividade da empresa enquanto o caso decorre, e as acusações ainda não foram julgadas.

O que a empresa vendia, segundo a FTC

O primeiro pacote custava entre 1.499 e 20.000 dólares e prometia falar com o chantagista, localizá-lo, fazer um relatório e avisar a polícia. A queixa diz que, na prática, a empresa limitava-se a bloquear o criminoso nas definições da conta da vítima, inventava conversas e apresentava coordenadas pré-gravadas, quase sempre na Nigéria ou nas Filipinas, como se fossem a localização do burlão. Depois pressionava os clientes a comprar uma segunda fase, de vigilância contínua.

Há um pormenor que contraria tudo o que as autoridades recomendam: os funcionários diziam às vítimas que bloquear o chantagista era a pior coisa a fazer. A empresa anunciava-se no Google, no YouTube e no X, à procura de quem pesquisava ajuda num momento de pânico.

O que fazer se te ameaçarem

Em Portugal o problema não é raro. No relatório sobre as denúncias de 2025, o Gabinete Cibercrime da Procuradoria-Geral da República contou 86 queixas ligadas a sextorsão. Parte vem de mensagens enviadas em massa, sem imagens reais, que fazem bluff. As outras começam em sites de namoro, onde o criminoso ganha confiança, obtém fotografias íntimas e passa depois a exigir dinheiro, muitas vezes em criptomoedas.

  • Não pagues. Pagar não garante que as imagens desapareçam e costuma trazer novos pedidos.
  • Corta o contacto e bloqueia o chantagista, mas não apagues a conversa nem a tua conta. Guarda capturas das mensagens, do nome de utilizador e dos pedidos de pagamento.
  • Denuncia a conta na própria rede social ou aplicação.
  • Conta a alguém de confiança. Não tens de lidar com isto sozinho.
  • Desconfia de quem prometa resolver tudo mediante pagamento rápido. É esse o esquema de que a FTC acusa a Digital Forensics.

Onde pedir ajuda e travar as imagens

A Linha Internet Segura da APAV atende de graça pelo 800 219 090 e trata de crimes e conteúdos ilegais na internet. A queixa pode ser feita na PSP, na GNR ou na Polícia Judiciária, ou por email para o Gabinete Cibercrime (cibercrime@pgr.pt). Neste caso, o Ministério Público lembra que a denúncia deve incluir a identificação e a assinatura de quem a faz.

Para impedir que as imagens circulem, o StopNCII.org gera no teu telemóvel ou computador uma impressão digital de cada fotografia ou vídeo e envia só esse código, nunca o ficheiro. As plataformas parceiras, como o Facebook, o Instagram, o Threads, o TikTok, o Reddit, o Snapchat e vários serviços da Microsoft, procuram depois cópias e removem-nas. O serviço só aceita imagens em que tenhas mais de 18 anos. Se foram tiradas antes dessa idade, a alternativa é o Take It Down, do Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas dos EUA, que funciona da mesma forma.

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