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Uma foto da sala pode revelar onde moras: o que faz a ferramenta Raven e como proteger as tuas fotografias

Tirar a localização da fotografia já não chega. Uma ferramenta de IA vendida a polícias norte-americanas compara os azulejos, a disposição da sala ou a cor das paredes com anúncios de casas e alojamentos para encontrar a morada. Vê o que podes fazer antes de publicar fotos de casa.

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Mulher de camisa branca segura um iPhone à frente da cara para tirar uma fotografia dentro de casa, com uma prateleira de madeira ao fundo
Imagem de arquivo. Karolina Grabowska / Pexels

Muita gente já sabe que as fotografias tiradas com o telemóvel podem levar escondidas as coordenadas do local onde foram feitas, e que convém apagá-las antes de partilhar. O problema é que a própria imagem pode chegar para te localizar. Segundo a Malwarebytes, que cita uma investigação da 404 Media, a empresa norte-americana Graylark diz que a sua ferramenta Raven consegue identificar a casa onde foi tirada uma fotografia de interior apenas com pistas visuais, sem GPS nem vista pela janela.

Como funciona a Raven

A ferramenta chamava-se GeoSpy e começou por adivinhar onde tinha sido tirada uma fotografia de exterior, a partir da vegetação, dos edifícios e de outros pontos de referência. Agora, segundo a 404 Media, também analisa interiores. Compara a imagem com fotografias de imóveis e reconhece pormenores como o formato dos azulejos, a estrutura de uma divisão ou a cor das superfícies, mesmo que a fotografia mostre a casa de outro ângulo. Uma imagem tão banal como uma máquina de lavar num recanto pode devolver uma lista ordenada de moradas possíveis.

Uma das funções procura em milhões de anúncios de alojamento de curta duração de todo o mundo, segundo o fundador, Daniel Heinen. Outra pesquisa imóveis a partir de fotografias de exterior e, nas cidades suportadas, também de interior. Heinen diz ainda que a Raven consegue descobrir em que hotel alguém ficou a partir de uma única fotografia, uma função que não aparece no site da empresa. Questionadas pela 404 Media, a Airbnb disse não ter qualquer relação com a Graylark e a Zillow lembrou que recolher dados do seu site viola os termos de utilização.

A Raven só está disponível para empresas, governos e polícias, segundo o fundador. A polícia de Los Angeles e o gabinete do xerife de Miami-Dade compraram acesso. As notícias não referem clientes em Portugal, mas a Malwarebytes lembra que este tipo de tecnologia também pode ser usado para perseguir pessoas, e que outros sites e apps usam o nome GeoSpy sem ligação à Graylark.

O que podes fazer

As recomendações da Malwarebytes começam antes de publicar. Olha para a fotografia à procura de pormenores que identifiquem a casa (azulejos diferentes, a disposição da divisão, a vista da janela, o número da porta, correio com a morada) e corta-os quando for possível. Revê quem pode ver as tuas publicações e álbuns, incluindo os antigos, e, em viagem, espera até saíres do alojamento para publicar fotografias que o identifiquem. Se já puseste a casa à venda ou a arrendar, pede para retirarem as fotografias de interior dos anúncios antigos, sabendo que as cópias já recolhidas não desaparecem.

Os metadados continuam a contar. No iPhone, abre a fotografia na app Fotografias, toca no botão de informação e escolhe Ajustar informação, Ajustar localização e Sem localização. Para que a Câmara deixe de gravar o local, vai a Definições, Privacidade e segurança, Serviços de localização, Câmara e escolhe Nunca. No Android, o Google Fotos faz estimativas de localização com base em pontos de referência e noutras fotografias tuas. Podes desligar isso nas definições do Fotos, em Privacidade e Opções de localização, através da opção Estimar localizações em falta. A ajuda da Google avisa, no entanto, que a localização gravada pela própria câmara não pode ser removida no Google Fotos.

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