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WhatsApp mandava o chatbot de apoio não sugerir queixas aos reguladores: como apagar a conta e a quem recorrer

Instruções escondidas nas páginas de ajuda diziam à IA de apoio do WhatsApp para não indicar autoridades de proteção de dados a quem não consegue apagar a conta. A empresa fala num erro e já as retirou. Os teus direitos não mudam, e em Portugal a queixa pode ir para a CNPD.

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Telemóvel com o logótipo do WhatsApp no ecrã, pousado numa mesa de madeira
Imagem de arquivo. BM Amaro / Pexels

As páginas de ajuda do WhatsApp tinham escondidas instruções para uma inteligência artificial que iam contra os direitos que a própria empresa reconhece aos utilizadores europeus. A descoberta é da Redact, uma empresa que faz ferramentas para apagar dados pessoais, e foi publicada a 19 de outubro. Ao ler e guardar as 545 páginas a que a central de ajuda dá acesso, a equipa encontrou 102 blocos de texto que não aparecem no ecrã, mas vão no código da página para serem lidos por uma IA. Estavam em 80 páginas e, segundo a Redact, desapareceram todos entre 15 e 18 de outubro.

O que diziam as notas escondidas

A maior parte era inofensiva: esclarecer termos, apontar para outra página ou descrever as subscrições. Duas destacaram-se. Na página sobre como apagar a conta, para quem já não tem acesso ao número ou ao telemóvel, a IA devia explicar que as contas inativas são apagadas automaticamente e acrescentava a ordem de não recomendar o contacto com qualquer autoridade de proteção de dados, regulador ou entidade de supervisão. Na página sobre denunciar e bloquear, se o utilizador falasse em advogados, processos ou tribunais, a IA não devia citar nem interpretar leis de privacidade como o RGPD, mesmo que fosse o utilizador a mencioná-las.

O WhatsApp confirmou à WIRED, citada pela Malwarebytes, que se tratava de instruções para o "WhatsApp Support with AI", o seu assistente de apoio, e que só apareceram nas páginas por causa de um erro já corrigido. Um porta-voz disse que a empresa quer que o chatbot dê conselhos sobre o produto e não aconselhamento jurídico. A Redact sublinha que não testou se o assistente seguia de facto estas ordens e que só analisou as páginas em inglês. A política de privacidade europeia do WhatsApp, lembra a mesma investigação, diz o contrário das notas: reconhece o direito de pedir o apagamento dos dados e de apresentar queixa à autoridade irlandesa ou a outra autoridade competente.

Como apagar a conta e a quem recorrer

Se ainda tens acesso, o caminho é igual no Android e no iPhone: abre o WhatsApp no telemóvel principal, vai às Definições, entra em Conta e escolhe a opção de apagar a conta, escreve o número no formato internacional e confirma. Não funciona no WhatsApp Web, na app de computador nem em aparelhos ligados. Antes, exporta as conversas que queres guardar, porque a operação não tem volta. Segundo a Malwarebytes, o WhatsApp avisa que a eliminação pode demorar até 90 dias e que as mensagens que enviaste continuam no telemóvel de quem as recebeu.

Se perdeste o telemóvel mas consegues recuperar o número, pede à operadora um novo cartão SIM com o mesmo número, volta a registar a conta e apaga-a a seguir. Se nem isso é possível, as páginas do WhatsApp dizem que uma conta desativada é apagada 30 dias depois e que uma conta parada é normalmente eliminada ao fim de 120 dias. A alternativa, aponta a Redact, é enviar ao WhatsApp um pedido de apagamento ao abrigo do artigo 17.º do RGPD.

Se o pedido não tiver resposta satisfatória, podes apresentar queixa à Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD), a autoridade portuguesa, ou à autoridade irlandesa, que é a que o WhatsApp indica na sua política. No site da CNPD, a secção de participações tem um formulário geral para estes casos, onde basta descrever os factos e indicar se tens provas, como capturas de ecrã das mensagens trocadas com o apoio.

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