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Telemóveis com 9.000 e 10.000 mAh: o que são as baterias de silício-carbono e porque as maiores ficam na China
A Honor apresenta na próxima semana um telemóvel com 12.070 mAh e, em Portugal, a gama Redmi Note 17 já começa nos 7.700 mAh. A tecnologia por trás do salto é a mesma, mas há regras que travam a chegada das capacidades mais altas à Europa. Explicamos o que muda e o que já podes comprar.

Durante anos, 5.000 mAh foi o número de referência para uma bateria de telemóvel grande. Isso está a mudar depressa. A Honor confirmou que o Win2, apresentado na China na próxima semana, terá 10.100 mAh, e que o Win RT2 chega aos 12.070 mAh, segundo o GSMArena. Em Portugal, os novos Redmi Note 17 da Xiaomi começam nos 7.700 mAh e vão até aos 9.210 mAh. Por trás deste salto está uma mudança na química das baterias, mas as capacidades mais altas continuam a ficar sobretudo do lado chinês.
O que muda numa bateria de silício-carbono
As baterias de silício-carbono continuam a ser de iões de lítio. A diferença está num dos elétrodos, o ânodo, que nas baterias convencionais é feito de grafite e que passa a incluir silício. Segundo a consultora Counterpoint, esta mudança permite aumentar a capacidade sem tornar os telemóveis mais grossos ou mais pesados. A consultora nota que as marcas chinesas usam as baterias maiores como uma melhoria clara e fácil de comunicar.
Os números da Counterpoint mostram a dimensão da viragem. Em janeiro de 2026, a bateria média de um telemóvel vendido no mundo tinha 5.291 mAh, mais cerca de 400 mAh do que um ano antes, o maior aumento anual desde dezembro de 2021. Os modelos com 6.000 mAh ou mais representaram 29% das vendas, contra 10% em janeiro de 2025. Todos os dez mais vendidos desse segmento eram de marcas chinesas, como a vivo, a Xiaomi, a OPPO e a Honor.
Porque é que as maiores ficam na China
Seis desses dez modelos usavam silício-carbono e eram exclusivos da China. A Counterpoint atribui isso a duas razões: as marcas lançam primeiro as baterias maiores no mercado doméstico e as regras internacionais sobre o tamanho das baterias limitam a rapidez com que as mesmas capacidades chegam a outros países. O resultado é que a bateria média na China já tem mais de 1.000 mAh do que no resto do mundo. Segundo a consultora, muitos fabricantes de fora da China preferem esperar que a tecnologia amadureça ou apostam em alternativas, como as baterias de estado sólido.
O que já podes comprar em Portugal
A gama Redmi Note 17 é o exemplo mais claro por cá. Os quatro modelos usam silício-carbono, com preços a partir de 299,99 euros, e o Pro Max chega aos 9.210 mAh. A Xiaomi garante que as baterias mantêm pelo menos 80% da capacidade ao fim de 1.600 ciclos de carga, o que, nas contas da marca, equivale a cerca de seis anos de uso diário.
Nos testes do 4gnews, o Redmi Note 17 5G, com 7.700 mAh, aguentou até três dias de uso moderado, e o Redmi Note 17 Pro, com 8.340 mAh e à venda por 479,99 euros, chegou a dois dias de uso regular. O mesmo site compara-o com o Motorola Edge 70 Fusion, que tem 7.000 mAh.
Quanto ao ritmo, a Counterpoint espera que a capacidade continue a subir, mas mais devagar, e que a adoção do silício-carbono abrande no curto prazo, porque a falta de memória está a encarecer os componentes. Para já, a Honor só anunciou o lançamento do Win2 e do Win RT2 na China.



