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Mercado

Vendas de telemóveis na China caem 15,4% e a Huawei é a única grande marca a crescer, segundo a IDC

Saíram 57,9 milhões de telemóveis para o mercado chinês entre julho e setembro, o pior trimestre dos últimos cinco. A Xiaomi, a OPPO e a vivo recuaram mais de 17%, a Apple ganhou quota apesar de vender menos e a IDC não vê melhoras antes de 2027.

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Loja da Huawei num centro comercial de Shenzhen, à noite, com fachada de vidro iluminada e um grande ecrã curvo no topo, e pessoas a passar na praça em frente
Loja da Huawei em Shenzhen, na China. ShenzhenPages / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O maior mercado de telemóveis do mundo está a encolher depressa. Segundo os dados preliminares da IDC, publicados a 13 de outubro, foram enviados para as lojas chinesas cerca de 57,9 milhões de telemóveis entre julho e setembro, menos 15,4% do que no mesmo trimestre de 2025. No primeiro semestre, a queda tinha ficado perto dos 4%, o que mostra que a travagem acelerou nos últimos meses. Numa altura em que quase todas as marcas recuaram, a Huawei conseguiu crescer.

Quem ganhou e quem perdeu

A Huawei ficou em primeiro lugar com 21,1% do mercado, contra 15,2% um ano antes, e aumentou as unidades enviadas em 17,3%. Foi a única das grandes marcas com crescimento de dois dígitos. A IDC explica o resultado com a variedade de modelos e com subidas de preço mais contidas do que as da concorrência. Ainda assim, face ao trimestre anterior, a marca enviou menos 17,6% de aparelhos.

As posições seguintes ficaram assim:

  • Apple: 17,8% de quota (15,8% um ano antes), com menos 4,3% de unidades.
  • OPPO, que nesta contagem inclui a OnePlus e a realme: 15,5%, menos 17,6%.
  • vivo, com a iQOO: 15,3%, menos 24,9%.
  • Xiaomi: 13,8%, menos 20,4%.
  • Honor: 13,0%, menos 24,2%.

A Apple ganhou quota porque perdeu menos do que as rivais. A IDC diz que os novos iPhones tiveram uma receção acima do esperado, mas que a marca tem este ano menos modelos à venda. A Honor foi a única das grandes a vender mais do que no trimestre anterior, ainda que só 0,9%, e a consultora vê aí sinais de recuperação. A Samsung tem um peso residual na China, com 0,4%.

A memória está a pagar a conta

A explicação da IDC é a mesma que se ouve noutros mercados. O preço da memória e de outros componentes subiu tanto que as marcas aumentaram os preços dos telemóveis novos e mexeram nas configurações para equilibrar custos. Os consumidores ainda não se habituaram aos novos preços e adiam a troca de aparelho, o que trava as vendas. Os fabricantes Android e as marcas mais pequenas são os que mais sentem esta pressão.

A consultora não espera melhorias no último trimestre do ano, apesar da avalanche de lançamentos. Admite até que a quebra continue durante boa parte de 2027, enquanto os custos dos componentes se mantiverem altos. As marcas maiores, que conseguem subir menos os preços, deverão ficar com clientes das mais pequenas.

Os números dizem respeito apenas à China e não permitem tirar conclusões sobre quotas em Portugal. Mas a causa não é local: na contagem mundial da Counterpoint, divulgada a 12 de outubro, as vendas de telemóveis caíram 20% no mesmo trimestre, também por causa da escassez de memória. Várias das marcas que mais recuaram na China, como a Xiaomi, a OPPO e a Honor, estão à venda em Portugal. Os dados da IDC são preliminares e podem ainda ser revistos.

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