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Portáteis de 2027 podem ficar mais caros ou trazer menos memória: o que prevê a TrendForce e o que verificar
Processador, memória e SSD já valem dois terços do custo de um portátil de gama média, e a TrendForce avisa que os fabricantes não vão conseguir manter preço, especificações e margens ao mesmo tempo. Uma das saídas já em curso é cortar no armazenamento. Vê o que deves procurar na ficha técnica.

Quem está a pensar comprar um portátil novo nos próximos meses vai encontrar um mercado diferente do de há dois anos. A consultora TrendForce, que acompanha a indústria de semicondutores, publicou a 8 de outubro a previsão para 2027 e o tom é claro: depois de um ano em que a falta de componentes foi o problema, o risco passa a ser os consumidores não aguentarem os preços. As vendas mundiais de portáteis devem voltar a cair em 2027, e a descida pode ficar perto dos dez por cento se as marcas passarem todo o aumento de custos para quem compra.
Porque é que o preço sobe
A explicação está em três peças: processador, memória RAM e armazenamento. A TrendForce usa como referência um portátil de gama média com preço de 900 dólares. No início de 2025, essas três peças representavam cerca de 45% do custo total dos componentes; no terceiro trimestre de 2026, já valiam 68%. Nas contas da consultora, para manter a mesma margem de lucro do início de 2025, as marcas teriam de vender um modelo equivalente cerca de 80% mais caro.
Até agora, os fabricantes amorteceram parte do choque com stocks comprados mais baratos, mas esse colchão está a acabar. A pressão continua do lado da memória: a TrendForce prevê que os preços de contrato da DRAM subam 10% a 15% no quarto trimestre e os da memória NAND, usada nos SSD, 15% a 20%. A procura dos centros de dados de inteligência artificial está a puxar a produção para a memória de servidores, e a oferta de memória para PC pode até diminuir em 2027.
Três caminhos para as marcas
A TrendForce resume o dilema assim: em 2027, as marcas não vão conseguir manter ao mesmo tempo o preço, as especificações e a rentabilidade. Ou sobem os preços e arriscam vender menos, ou absorvem os custos e ganham menos, ou poupam nas especificações. Esta última via já está em marcha: segundo a consultora, várias marcas estão a reduzir a capacidade dos SSD nos modelos mais vendidos, e cortar na quantidade de memória é outra das opções em cima da mesa.
O que ver antes de comprar
Para ti, isto significa ler a ficha técnica com mais atenção do que o preço. Compara a quantidade de RAM e de armazenamento entre a geração nova e a anterior do mesmo modelo, porque o mesmo nome e um preço parecido podem esconder menos memória ou um SSD mais pequeno. Confirma também se a memória é soldada à placa, o que é cada vez mais comum nos portáteis finos e impede aumentá-la mais tarde: o ASUS ExpertBook A7, lançado esta semana em Portugal, é um exemplo, com até 16 GB soldados.
Se o teu portátil atual ainda serve, repara que a Microsoft está a distribuir melhorias de memória no Windows 11 que, segundo a empresa, ajudam sobretudo os PC com 8 GB. Se precisas mesmo de trocar, a TrendForce não aponta para descidas de preço no horizonte: a oferta de memória para computadores deve manter-se apertada ao longo de 2027, e só no armazenamento admite algum alívio na segunda metade do ano, com nova capacidade de produção.



