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Vendas de PC caem 20% no trimestre e a memória mais cara já pesa no preço dos portáteis

A IDC e a Omdia contam menos um quinto de computadores vendidos entre julho e setembro. A memória e o armazenamento, que valiam cerca de 15% do custo de um PC, valem agora quase 40%, e os analistas não esperam que os preços voltem ao que eram.

Por · 2 min de leitura
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Módulos de memória RAM verdes e processadores pousados sobre uma placa de computador
A memória e o armazenamento são os componentes que mais encareceram. Sergei Starostin / Pexels

O terceiro trimestre costuma ser bom para quem vende computadores, por causa do regresso às aulas. Este ano foi o contrário. Segundo os dados preliminares da IDC, saíram das fábricas 62,7 milhões de PC entre julho e setembro, menos 20,1% do que no mesmo período de 2025 e menos 9,1% do que no trimestre anterior. A Omdia, que usa uma metodologia própria, chega a um número parecido: 58,1 milhões de unidades e uma queda de 21,2%, com os computadores de secretária a recuar 23,5% e os portáteis 20,6%.

As duas consultoras apontam a mesma causa. No início do ano, fabricantes e distribuidores encheram os armazéns para se anteciparem às subidas de preço da memória, o que inflacionou as vendas do primeiro semestre e deixou o terceiro trimestre sem procura. Agora, com os preços finais mais altos, os consumidores e as empresas estão a adiar compras.

Porque é que um portátil custa mais

A explicação está nos componentes. Ben Yeh, analista da Omdia, calcula que a memória RAM e os discos SSD passaram de cerca de 15% para quase 40% do custo de um computador, depois de os preços destes componentes mais do que quadruplicarem. Os fabricantes já subiram os preços várias vezes nos últimos trimestres e, mesmo assim, ainda não compensaram o aumento. A IDC liga a subida de preços à construção de centros de dados para inteligência artificial. A Omdia acrescenta que também faltam processadores e placas gráficas.

O resultado chegou às lojas. De acordo com a Omdia, os retalhistas registam subidas de dois dígitos no preço médio de venda, ao mesmo tempo que vendem menos.

Quem perdeu mais

A Lenovo continua em primeiro, com 14,9 milhões de unidades, mas caiu 22,6% nas contas da IDC. A HP teve a maior quebra entre os cinco maiores, de 30,9%, para 10,3 milhões, e a Dell recuou 25%, para 7,6 milhões. A Apple e a Asus resistiram melhor, com descidas de 11,3% e 8,6%. A Omdia atribui o desempenho da Apple ao posicionamento em gamas mais altas, onde o aumento de preço se nota menos.

Vale a pena esperar?

Jitesh Ubrani, diretor de investigação da IDC, admite que os distribuidores, preocupados com o stock parado, façam promoções nos próximos meses, o que pode dar algum alívio a quem precisa de comprar. Não conta, porém, com preços próximos dos de há um ano. A Omdia é mais pessimista e prevê uma queda de 24% nas vendas do quarto trimestre e de mais 7% em 2027.

Para quem está a pensar trocar de computador, a leitura prática é esta: uma boa campanha de final de ano pode compensar, mas adiar a compra à espera de uma descida geral dos preços é uma aposta que os analistas não acompanham.

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