AMD
AMD conta com vendas de PC a cair mais de 10% em 2027, e a Intel avisa que a memória cara trava o mercado
A AMD e a Intel, que fazem os processadores de boa parte dos computadores, estão a preparar-se para um ano difícil. A AMD planeia com uma descida de dois dígitos no número de PC vendidos em todo o mundo, depois de a Intel ter dito que a subida do preço da memória está a pressionar o negócio dos PC.

A AMD está a preparar-se para um 2027 fraco no mercado de computadores. Na conferência com analistas sobre os resultados do 3.º trimestre, divulgados a 3 de novembro, a presidente executiva, Lisa Su, disse que a empresa está a planear o próximo ano contando com uma queda "de dois dígitos" no número de PC vendidos em todo o mundo, ou seja, pelo menos 10%. Segundo o PC Guide, Su explicou que as vendas começaram a abrandar perto do fim do trimestre, com os consumidores mais cautelosos perante a subida do preço dos componentes. A empresa acrescentou que conta sair-se melhor do que o mercado, com novos processadores Ryzen e mais vendas para empresas.
Bons números agora, aviso para depois
Os resultados do trimestre ainda não mostram a quebra. A AMD faturou 13,4 mil milhões de dólares, mais 45% do que há um ano, e a divisão de processadores para PC subiu 7%, para 2,9 mil milhões, graças aos Ryzen para portáteis. O grande salto veio dos centros de dados, que quase duplicaram as vendas, para 8,5 mil milhões, com os processadores EPYC e as placas Instinct usadas em inteligência artificial.
O lado mais próximo de quem joga correu pior. As receitas de jogos caíram 40%, para 773 milhões de dólares, o que a AMD atribui a menos vendas de chips feitos à medida para consolas e de placas gráficas. Para o 4.º trimestre, a empresa espera receitas totais de cerca de 17 mil milhões de dólares, sem separar a parte dos PC.
A Intel diz o mesmo
O aviso da AMD chega poucos dias depois de outro semelhante da Intel. A 29 de outubro, a concorrente disse que as receitas da divisão de PC vão continuar a abrandar até ao primeiro semestre de 2027, pressionadas pela forte subida dos preços da memória, e estimou uma queda de cerca de 25% nesse negócio no trimestre seguinte, relatou o ECO. No 3.º trimestre, essa divisão já tinha vendido menos 5% do que um ano antes.
A pressão vem de cima. A procura de memória por parte das empresas de IA e dos centros de dados continua alta, e os fabricantes de computadores estão a ter dificuldade em segurar os preços, sobretudo nos modelos mais baratos, escreve o PC Guide. Nenhuma das duas empresas deu previsões para o preço final dos computadores, nem para Portugal em particular.



