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Reciclagem

Cabos, carregadores e auriculares baratos: um em cada seis compradores portugueses já os pôs no lixo comum

Um inquérito europeu divulgado pelo Electrão mostra que oito em cada dez portugueses compraram pequenos aparelhos eletrónicos baratos no último ano e que um terço os guarda na gaveta quando deixam de servir. Antes da Black Friday, explicamos porque não devem ir para o lixo e onde os podes entregar.

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Monte de cabos elétricos de várias cores emaranhados, com caixas de tomada e pequenas peças de plástico branco, prontos para reciclagem
Imagem de arquivo. Michael / Pexels

Carregadores, cabos, auriculares, luzes LED e outros pequenos aparelhos comprados por poucos euros estão a acabar no sítio errado. Segundo um inquérito europeu divulgado a 14 de outubro pelo Electrão, uma das entidades que gerem a recolha e a reciclagem de equipamentos elétricos usados em Portugal, um em cada seis portugueses que compram este tipo de produtos (17,8%) já os deitou no lixo comum ou num contentor inadequado. Os dados foram divulgados no Dia Internacional dos Resíduos Elétricos, dedicado este ano à chamada "fast tech", a tecnologia barata que se compra por impulso e dura pouco.

O que diz o estudo

O inquérito foi encomendado pelo WEEE Forum, a associação internacional das entidades gestoras de resíduos elétricos, e ouviu 10.245 adultos em 12 países europeus em julho, 503 deles em Portugal. Entraram na conta produtos de carregamento e iluminação abaixo de 10 euros e gadgets abaixo de 20 euros.

Cá, 82,5% dos inquiridos compraram pelo menos um destes produtos entre agosto de 2025 e julho de 2026. Quando deixam de servir, os destinos variam: 33,6% guardam-nos em casa, 41,9% já os entregaram num ponto de recolha ou ecocentro e 29,8% admitem tê-los deixado em papeleiras de rua ou no ecoponto amarelo, que é para embalagens.

No conjunto dos 12 países, 38,6% dos compradores deitaram fora pelo menos um destes aparelhos sem nunca o usar, depois de uma única utilização ou antes de fazer um mês. Perante uma avaria, 59,1% voltariam a comprar um modelo barato, embora 80,3% digam que, nalguns casos, teriam pago mais por uma alternativa que durasse. O WEEE Forum nota ainda que 57% não sabem que as plataformas online que vendem eletrónica são obrigadas por lei a contribuir para a recolha e a reciclagem destes resíduos.

Porque não podem ir para o lixo

Mesmo pequenos, estes aparelhos têm metais e plásticos que podem ser recuperados e componentes com substâncias perigosas que precisam de tratamento próprio. Há também um risco de segurança. Muitos têm baterias de iões de lítio que, quando são esmagadas ou perfuradas nos camiões de recolha ou nas centrais de triagem, podem provocar incêndios, alerta o WEEE Forum.

O problema não é só dos gadgets. Segundo os últimos dados da Agência Portuguesa do Ambiente, citados pela associação Zero, Portugal recolheu e tratou em 2024 apenas 32% dos resíduos elétricos e eletrónicos, menos de metade da meta europeia de 65%.

Onde entregar

O mapa em ondereciclar.pt mostra os locais mais próximos para entregar equipamentos elétricos, pilhas e lâmpadas, e o Electrão lembra que cabos e carregadores também precisam de recolha separada. Antes disso, a associação recomenda que separes o que ainda funciona e pode ser reutilizado, reparado ou doado.

Com a Black Friday e o Natal à porta, o WEEE Forum espera nas próximas semanas uma nova vaga de compras deste tipo de produtos, muitas delas feitas em lojas online.

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