Anthropic
Anthropic põe o Claude a desenhar medicamentos contra alergias e cancro e comprou uma empresa de uma só pessoa
A dona do Claude mostrou os primeiros resultados de parcerias com seis empresas farmacêuticas e de biotecnologia. Há 35 mil anticorpos desenhados num mês, papelada de fabrico revista em menos de três horas e um tratamento para distrofia muscular que pode chegar a ensaios em humanos em 2028.

A Anthropic, a empresa que desenvolve o Claude, divulgou a 27 de outubro os primeiros resultados do trabalho da sua equipa de ciências da vida com seis organizações que desenvolvem medicamentos: BigHat Biosciences, Bristol Myers Squibb, Divergence Labs, Enveda, Generate Biomedicines e The Column Group. A ideia, explica a empresa, é pôr a IA em todas as fases do processo, da escolha do alvo de um fármaco ao fabrico, à papelada para os reguladores e ao planeamento dos ensaios clínicos. Os resultados vêm das próprias empresas e da Anthropic, com relatórios técnicos publicados por vários dos parceiros.
Do desenho de moléculas à papelada
Na Generate Biomedicines, seis cientistas usaram o Claude Code para encurtar uma parte das instruções genéticas de uma terapia contra o cancro chamada CAR-T, para a adaptar a tumores sólidos. Um dos desenhos ficou cerca de 70% mais curto e, nos testes de laboratório, as células imunitárias produziram perto de dez vezes mais recetores e mataram as células tumorais com mais eficácia.
A Divergence Labs procura um tratamento para alergias alimentares que solte das células imunitárias a molécula que desencadeia a reação, a IgE. O Claude transformou os objetivos num plano e gerou, quase sozinho, cerca de 35 mil desenhos de anticorpos num mês. Nos primeiros testes, três desenhos ligaram-se à IgE e 20 conseguiram desprendê-la, três deles mais do que o medicamento de referência.
Na Enveda, onde os químicos chegavam a passar 75% do tempo em documentação, o Claude reviu 1.061 páginas de registos de fabrico. Encontrou os 11 problemas que os revisores humanos tinham assinalado e mais sete que lhes tinham escapado, e o tempo de revisão humana caiu 89%, de mais de 25 horas para menos de três. Um dos documentos para os reguladores escrito pelo Claude levou quatro horas, contra cerca de três meses à mão.
Uma empresa comprada e ensaios só em 2028
A Bristol Myers Squibb está a usar o Claude para avaliar planos de ensaios clínicos de um medicamento em fase inicial e estimar a probabilidade de sucesso, e as duas empresas querem alargar esse trabalho em 2027. Com a The Column Group, a Anthropic apoia a criação da Pleiades, uma empresa que pretende gerir com o Claude muito mais programas de investigação do que uma equipa pequena conseguiria.
A Anthropic também começou a investigar por conta própria. Comprou a Mithril Medicine, uma empresa de uma só pessoa dedicada a duas formas raras de distrofia muscular em crianças. O fundador, Cody Tranbarger, usou o Claude para gerir contratos, logística e experiências com 11 laboratórios externos e, em menos de 18 meses, passou da ideia a resultados promissores em ratinhos. Se os candidatos a medicamento continuarem a dar bons sinais, a empresa espera começar ensaios em humanos a partir do fim de 2028.
A própria Anthropic avisa que tudo está numa fase inicial e quase sempre pré-clínica, sem testes em pessoas. A empresa lançou ainda créditos do Claude para investigadores e um programa que dá a organizações de confiança acesso aos modelos mais potentes com salvaguardas menos restritivas para a investigação biológica.



