TEKEVER
TEKEVER vai fornecer drones de vigilância às forças especiais dos EUA, mas não diz quantos nem que modelo
O Comando de Operações Especiais dos Estados Unidos comprou sistemas aéreos não tripulados à empresa de origem portuguesa, depois de uma fase de ensaios e formação em vários locais. O valor do negócio também não foi revelado.

A TEKEVER passou a ter as forças especiais norte-americanas como cliente. A empresa de origem portuguesa, que fabrica drones e sistemas autónomos para defesa e segurança, anunciou a 26 de outubro que o Comando de Operações Especiais dos Estados Unidos (USSOCOM) comprou sistemas aéreos não tripulados seus. O comunicado, datado de Fayetteville, na Carolina do Norte, onde a empresa tem instalações, deixa de fora os pormenores que permitiriam medir o negócio: não diz quantos aparelhos são, qual o modelo, como estão configurados nem quanto custaram.
Segundo a TEKEVER, a compra foi fechada depois de um programa de ensaios de validação e aceitação, com ações de formação e uma campanha de voos feita em vários locais. A empresa diz que usa os dados de cada ciclo de voos para ir alterando os sistemas, e o presidente executivo, Ricardo Mendes, descreve a encomenda como o resultado de uma relação construída ao longo do tempo com as equipas do comando.
Para que servem estes drones
O sistema vendido ao USSOCOM destina-se a missões de informações, vigilância e reconhecimento, a sigla ISR usada no meio militar. De acordo com a descrição da empresa, foi pensado para ser montado e posto no ar com facilidade e tem uma arquitetura modular: junta o aparelho, sensores escolhidos para cada missão, as comunicações e o software de missão com inteligência artificial, num conjunto pensado para recolher informação de forma autónoma. A empresa não diz que sensores acompanham os aparelhos entregues ao comando.
Não é a primeira vez que as duas partes trabalham juntas. A TEKEVER já tinha divulgado um exercício operacional com o USSOCOM em Camp Roberts, na Califórnia, centrado no AR3. Este drone de asa fixa descola e aterra na vertical, por isso dispensa equipamento extra de lançamento ou de recolha, e pode levar câmaras óticas e de infravermelhos, radar ou equipamento de escuta de sinais rádio. O comunicado agora publicado não confirma, ainda assim, que o AR3 seja o modelo comprado.
Um outono de contratos
A encomenda norte-americana junta-se a outros contratos anunciados pela TEKEVER nos últimos meses. A 16 de setembro, a empresa assinou com o Ministério da Defesa britânico o projeto CORVUS, no valor de até 400 milhões de libras, para entregar ao Exército do Reino Unido o AR5, um drone de longa autonomia que, segundo a TEKEVER, soma mais de 50 mil horas de voo operacional na Ucrânia desde 2022. Em agosto, tinha fechado com a Força Aérea Portuguesa o fornecimento do AR5 para vigilância marítima, controlo da Zona Económica Exclusiva e apoio ao combate a incêndios rurais.
A empresa diz ter mais de 1500 trabalhadores e instalações em Portugal, no Reino Unido, em França, na Alemanha, na Estónia, na Ucrânia e nos Estados Unidos. Sobre a encomenda do USSOCOM, ficam por conhecer o valor, o calendário de entregas e o modelo escolhido, que a TEKEVER não divulga.



