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Spotify tirou mais de 50 milhões de faixas de IA de baixa qualidade e spam das recomendações este ano
Um ano depois de prometer combater a música gerada em massa por IA, o Spotify fez as contas: dezenas de milhões de faixas fora das recomendações, 300 mil artistas verificados e etiquetas para artistas que não existem. Ao mesmo tempo, prepara uma ferramenta paga para os fãs fazerem remisturas com IA.

O Spotify publicou a 20 de outubro o primeiro balanço das medidas que anunciou há um ano contra o spam, a usurpação de identidade e a música gerada em massa com inteligência artificial. Segundo a empresa, mais de 50 milhões de faixas classificadas como spam ou lixo feito com IA (o que em inglês se chama "slop") foram retiradas das recomendações só este ano. Além disso, mais de 75 milhões de faixas foram apagadas da plataforma por violações graves ou repetidas das regras. Para quem ouve, a promessa é encontrar menos destas músicas nas listas automáticas e nas sugestões.
Como o Spotify as encontra
A empresa conta que analisou as faixas que os ouvintes saltavam, ignoravam ou marcavam como indesejadas e que eram, de forma sistemática, faixas identificadas como spam ou IA de baixa qualidade. Nos últimos seis meses mudou várias vezes o sistema de recomendações para as afastar, e os editores das listas seguem o mesmo critério. Não há um sinal único: o Spotify cruza o comportamento dos ouvintes, os padrões de carregamento, os metadados e várias ferramentas externas de deteção de IA. A própria empresa admite que estas ferramentas têm limites e que vai ser cada vez mais difícil apanhar a música gerada por IA.
Há também um travão financeiro. Desde 2024, uma faixa só rende direitos de autor depois de mil reproduções, e o Spotify diz que as músicas com forte probabilidade de terem sido geradas por IA têm dez vezes mais hipóteses de ficar abaixo desse limite.
O que vês na app
Mais de 300 mil artistas já têm o selo Verified by Spotify, que indica que há uma pessoa real e identificável por trás da música. Segundo a empresa, representam mais de 99% do que os ouvintes procuram, e mais de 70% são independentes. No sentido oposto, milhares de artistas cuja identidade é gerada por IA têm uma etiqueta própria e ficam fora das recomendações por defeito, a menos que os sigas. Os créditos de IA, lançados em abril, mostram que instrumentos ou funções de uma canção foram feitos com IA, e já aparecem nos créditos da música, no ecrã de reprodução da app para telemóvel.
Os artistas ganham ainda uma proteção de perfil, que lhes permite rever os lançamentos em seu nome antes de aparecerem na página. Está em teste com milhares de músicos e chega a todos até ao fim do ano.
Remisturas com IA, mas pagas
No mesmo dia, o Spotify anunciou um acordo com a distribuidora Believe e a TuneCore para uma ferramenta que ainda vai lançar: os fãs poderão criar remisturas e versões de músicas com IA, e os artistas recebem pelas reproduções. A ferramenta vai ser um extra pago para os assinantes Premium, e só entram artistas que aceitem participar. O Spotify não indicou data nem preço, nem disse se chega a Portugal.



