Micromobilidade
Lisboa quer acabar com as trotinetes partilhadas até ao fim do ano: proposta vai a votos a 21 de outubro
Carlos Moedas anunciou a suspensão do serviço de trotinetes de aluguer por aplicação, justificada com acidentes e passeios ocupados. Se a Câmara aprovar, os operadores terão 60 dias para tirar os veículos da rua. As trotinetes próprias continuam a poder circular.

As trotinetes elétricas que se alugam por aplicação podem desaparecer das ruas de Lisboa nos próximos meses. Carlos Moedas, presidente da Câmara, anunciou na noite de 15 de outubro, no espaço de comentário que tem no canal NOW e depois num vídeo nas redes sociais, que vai propor a suspensão do sistema de trotinetes partilhadas na cidade. A proposta será discutida na reunião de Câmara de quarta-feira, 21 de outubro. Se for aprovada, as empresas terão 60 dias para retirar os veículos, o que, segundo o Observador e a Renascença, aponta para o fim do serviço até ao final do ano ou, no máximo, em janeiro de 2027.
Porque é que a Câmara quer acabar com o serviço
O autarca aponta dois motivos: a segurança e a ocupação dos passeios. Numa nota enviada à Lusa, Moedas diz que a Câmara recolhe mais de mil trotinetes por mês por estarem mal estacionadas (no anúncio televisivo falou numa média de 1.200) e que o número de remoções aumentou 40% entre 2024 e 2026. Refere ainda um aumento de 80% nos acidentes com estes veículos desde 2023, segundo o relato do Observador, e queixa-se de trotinetes em contramão, nos passeios e com duas pessoas a bordo.
A autarquia afirma ter tentado antes soluções intermédias com os operadores, através de um acordo em 2023 e de uma adenda em junho de 2025. Limitou frotas, criou zonas proibidas, lugares de estacionamento próprios e limites de velocidade, mas diz que nada disso chegou. O executivo tem maioria e Moedas conta também com o voto do PS, como aconteceu em Braga, onde a suspensão foi aprovada em junho com os mesmos 60 dias de prazo.
Nem todos concordam. A associação ambientalista ZERO disse à Renascença que a medida "não parece ser uma solução para o problema". Defende que o estacionamento deve ser disciplinado com locais próprios e lembra que as trotinetes partilhadas ajudam a chegar ao metro e ao comboio. Ao mesmo tempo, o Automóvel Club de Portugal anunciou que entrega na Assembleia Municipal cerca de 20 mil assinaturas para um referendo municipal sobre o futuro do serviço.
O que muda para quem anda de trotinete
A suspensão abrange só o aluguer por aplicação. Se tens trotinete própria, podes continuar a circular, cumprindo o Código da Estrada: nada de passeios, de passageiros, de telemóvel ou de auriculares durante a condução. O seguro de responsabilidade civil só é obrigatório nos modelos que passam dos 25 km/h ou que pesam mais de 25 quilos e andam a mais de 14 km/h, como explica a Renascença. As bicicletas partilhadas Gira, da Câmara, continuam e vão até ser reforçadas, segundo o autarca.
Há outra mudança a caminho, a nível nacional. A 30 de setembro, a Assembleia da República aprovou na generalidade um projeto do PSD que torna obrigatório o capacete para quem conduz trotinetes e bicicletas elétricas, além de vestuário ou acessórios refletores do anoitecer ao amanhecer. Segundo a RTP, as coimas previstas vão de 60 a 300 euros nas trotinetes e de 30 a 150 euros nas bicicletas elétricas. O texto ainda está a ser discutido na especialidade, por isso estas regras ainda não estão em vigor.



