EuRoC
Equipa do Minho lança e recupera foguete à primeira na EuRoC, onde os austríacos de Graz voltaram a ganhar
Na competição europeia de foguetes universitários, em Constância, voaram 12 foguetes. A estreante MAST, da Universidade do Minho, fez o que nenhuma equipa portuguesa tinha conseguido na primeira participação. As outras duas portuguesas ficaram em terra.

A European Rocketry Challenge (EuRoC), a competição de foguetes construídos por estudantes universitários que a Agência Espacial Portuguesa organiza em Constância, terminou a 21 de outubro com uma vitória austríaca e uma estreia portuguesa bem-sucedida. Segundo a agência, a sétima edição juntou cerca de 700 estudantes de universidades de 13 países, que passaram uma semana entre a zona de montagem e as rampas do Campo Militar de Santa Margarida. Em quatro dias de lançamentos, levantaram voo 12 foguetes.
Graz volta a ganhar e quebra a alternância com Itália
O prémio principal, que avalia o desenho do foguete, a documentação técnica, o trabalho de equipa e o voo, foi para a Aerospace Team Graz, da Áustria. O foguete da equipa fez o melhor voo da categoria de propulsão líquida, chegando aos 9.000 metros com o mesmo tipo de motor usado pelos lançadores que põem satélites em órbita. É a terceira vitória dos austríacos, depois de 2023 e 2025, e o fim da alternância com os italianos da Skyward Experimental Rocketry, vencedores em 2022 e 2024.
A Skyward não saiu de mãos vazias: levou o prémio de design e o de voo na categoria de propulsão líquida até aos 3.000 metros. Os restantes prémios foram repartidos por equipas de vários países:
- Prémio técnico: ARIS (Suíça)
- Melhor carga útil: White Noise (Grécia)
- Trabalho de equipa: BME Suborbitals (Hungria)
- Voo com motor sólido a 3.000 metros: LEEM-UPM (Espanha)
- Voo com motor híbrido a 3.000 metros: CTU Space Research (Chéquia)
A estreia da MAST e as portuguesas que ficaram em terra
Esta edição reservou, pela primeira vez, cinco lugares para equipas que nunca tinham participado. A grega White Noise foi eleita a melhor estreante. Entre as novatas estava a Minho Aerospace Students' Team (MAST), criada em 2024 na Universidade do Minho, cujo foguete, o Mirage, subiu aos 3.000 metros e foi recuperado. Segundo a agência, nenhuma equipa portuguesa o tinha conseguido na primeira participação.
As outras duas equipas portuguesas não chegaram a voar. A Rocket Experiment Division, do Instituto Superior Técnico, que participa desde 2021, desistiu por problemas técnicos que não conseguiu resolver a tempo. A North Space, das universidades do Porto e de Lisboa, foi selecionada mas não passou à fase final, depois de contratempos no desenvolvimento do foguete.
A agência diz que muitos dos estudantes que passaram pela EuRoC trabalham hoje em empresas do setor espacial ou criaram as suas. Para o presidente da agência, Ricardo Conde, é isso que faz da competição uma referência europeia: os estudantes desenvolvem tecnologia em condições próximas das da indústria. Este ano, a ESA foi parceira estratégica e a competição teve ainda o apoio da Neuraspace, da TEKEVER e da Momentum Aerospace, além do Exército, que cedeu o campo militar para os lançamentos.
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