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Operadoras

MEO, NOS e Vodafone dão às apps dos bancos uma forma de detetar a troca de cartão SIM usada em burlas

As três operadoras abriram às empresas duas ferramentas da rede móvel: uma confirma que o número no telemóvel é mesmo o do cliente, a outra avisa se esse número passou há pouco para outro cartão SIM. A resposta é sempre um sim ou não, e é a app do banco que decide se bloqueia a operação.

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Gaveta de cartões de um telemóvel retirada, com dois cartões SIM e um cartão de memória, pousada junto ao aparelho sobre uma superfície escura
Imagem de arquivo. Paowee / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

As três principais operadoras móveis portuguesas juntaram-se para dar aos bancos e a outras empresas uma forma de travar um tipo de burla difícil de detetar: a troca de cartão SIM. MEO, NOS e Vodafone anunciaram esta terça-feira a adesão à GSMA Open Gateway, uma iniciativa da associação mundial dos operadores móveis que põe à disposição das empresas funções da própria rede, através de interfaces padronizadas (API). Numa primeira fase, segundo o Observador e o Tek Notícias, estão disponíveis duas ferramentas pensadas para a prevenção de fraude. A Nokia apoia o lançamento com a sua plataforma Network as Code, que liga estas funções a quem desenvolve as aplicações.

Duas perguntas à rede

Na troca de SIM, o burlão consegue passar o teu número para um cartão que controla e começa a receber as tuas chamadas e mensagens, incluindo os códigos que os bancos enviam por SMS para confirmar entradas e transferências. Uma das novas ferramentas, chamada SIM Swap, permite à app de um banco perguntar à rede se o número do cliente foi associado a outro cartão há pouco tempo. A outra, de verificação de número, confirma que o telemóvel que está a usar a app tem mesmo o número registado pelo cliente. Segundo o Leak, esta confirmação automática pode reduzir a dependência dos códigos por SMS.

As operadoras garantem que não entregam dados pessoais. Às duas perguntas a rede responde apenas sim ou não, e é a empresa dona da app que decide o que fazer, por exemplo bloquear o acesso ou travar uma transferência. Judite Reis, da NOS, justificou a iniciativa com o aumento da fraude, numa apresentação à imprensa citada pelo Observador. Segundo o Tek, as ferramentas seguem as normas abertas CAMARA e funcionam qualquer que seja a operadora do cliente.

O que muda para ti

Para já, nada muda no teu telemóvel. As ferramentas ficam do lado das empresas, e no anúncio não foi indicado nenhum banco que já as use. As operadoras dizem que os serviços financeiros devem ser os primeiros interessados, mas também apontam à saúde e à administração pública. Filipe Mendonça, da MEO, adiantou que no início de 2027 chega uma terceira ferramenta, que indica desde que data um número pertence ao utilizador atual, útil quando um número antigo é atribuído a outra pessoa.

Enquanto os bancos não adotam estas verificações, os cuidados de sempre continuam a valer. Nunca partilhes códigos recebidos por SMS, mesmo com quem diz ligar do banco ou da operadora. Se o telemóvel ficar de repente sem rede, sem razão aparente, contacta a operadora: pode ser sinal de que alguém pediu um cartão novo com o teu número.

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