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Telecomunicações

Vodafone e mais três operadoras europeias preparam candidatura conjunta para ligar telemóveis a satélites

A Deutsche Telekom, a Orange, a Telefónica e a Vodafone assinaram uma carta de intenções para disputar as frequências europeias de serviços móveis por satélite, cujos direitos atuais terminam em maio de 2027. Prometem abrir o serviço a todas as operadoras, mas ainda não têm parceiro para os satélites.

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Grande antena parabólica de uma estação terrestre de comunicações com satélites, iluminada à noite sob um céu estrelado, com árvores em primeiro plano
Imagem de arquivo. D. O’Donnell/ESA / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0 IGO)

Quatro dos maiores grupos de telecomunicações da Europa querem ter uma palavra a dizer na ligação direta entre satélites e telemóveis. A Deutsche Telekom, a Orange, a Telefónica e a Vodafone, que está presente em Portugal, assinaram uma carta de intenções para estudar uma candidatura conjunta às frequências de serviços móveis por satélite que a União Europeia vai voltar a atribuir. O anúncio foi feito num comunicado conjunto a 19 de outubro. Ainda é só uma intenção: as empresas não se comprometeram com uma candidatura nem com datas.

Satélite no telemóvel de sempre

O que está em jogo é a tecnologia conhecida como Direct-to-Device, que permite a um telemóvel comum falar diretamente com um satélite, sem antenas especiais. Na prática, serve para manter a ligação em zonas mal servidas pelas redes terrestres. As operadoras apresentam o projeto como resposta à procura de cobertura total, mas também como forma de reforçar a resiliência das redes públicas e de proteger as comunicações críticas.

O modelo proposto tem uma particularidade. Segundo o comunicado, as quatro operadoras montariam na Europa a infraestrutura terrestre e as funções de coordenação e monitorização, mas não vão investir diretamente numa constelação de satélites. Essa parte ficará a cargo de um parceiro ainda por escolher. As empresas dizem que o serviço ficaria disponível para todas as operadoras móveis, com acesso aberto e não discriminatório, o que em teoria incluiria a MEO, a NOS e a DIGI. Acrescentam ainda que o acordo não substitui as parcerias com empresas de satélites que cada uma já tem.

A faixa que a Starlink também quer

A disputa centra-se na faixa dos 2 GHz, destinada aos serviços móveis por satélite. Segundo um documento da ANACOM publicado a 21 de outubro, esta faixa está atribuída a nível europeu a dois operadores, a Inmarsat e a EchoStar, e os respetivos direitos terminam em maio de 2027. A Comissão Europeia apresentou em maio de 2026 uma proposta de regulamento com um novo regime para a faixa, que ainda está em processo legislativo.

É a mesma faixa que a SpaceX tentou usar em Portugal através de um aluguer de frequências à EchoStar, para ligar a segunda geração da Starlink a telemóveis não modificados. A ANACOM aprovou a 20 de outubro um sentido provável de decisão para recusar esse pedido e lembrou que, mesmo que o aprovasse, a autorização só valeria até maio de 2027.

Para quem tem telemóvel em Portugal nada muda para já. Não há data para o serviço das operadoras europeias, nem preços, e a candidatura depende das regras que Bruxelas ainda tem de fechar.

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