Agentes de IA
Agentes de IA ficam presos nos pilotos: só 20% das organizações os usam em várias áreas, diz a Quidgest
Seis em cada dez organizações já testam ou usam agentes de IA, mas a maioria não passa de experiências isoladas. O Observatório da Quidgest aponta as regras pouco claras e os dados como travões principais, bem à frente da resistência dos trabalhadores.

Os agentes de inteligência artificial, programas que planeiam e executam tarefas sozinhos dentro de limites definidos, já entraram em muitas organizações, mas poucas os puseram a trabalhar a sério. É a principal conclusão do Observatório Quidgest 2026/27, um inquérito da tecnológica portuguesa apresentado na 17.ª Q-Day Conference, que decorreu a 24 de setembro na Culturgest, em Lisboa, com o tema "IA: a era dos agentes". O estudo reúne 311 respostas de profissionais de 50 países. Portugal é o país com mais peso na amostra (47%), seguido do Brasil (15%) e de Espanha (10%).
Muitas experiências, pouca produção
Segundo os dados divulgados pela Quidgest, 61% das organizações já testam ou usam agentes de IA, mas só 20% conseguiram levá-los a várias áreas do negócio. As restantes ficam por projetos-piloto isolados. Uma das explicações está no grau de controlo: 79% das empresas obrigam a uma aprovação humana prévia ou impõem limites muito apertados à autonomia dos agentes, o que trava a passagem da demonstração para o uso diário.
Os obstáculos que os inquiridos apontam são sobretudo estruturais. À frente surge a incerteza legal ou regulatória, com 24%, seguida da qualidade ou do acesso aos dados, com 22%. A resistência dos trabalhadores, muitas vezes apresentada como o grande problema, aparece em último lugar, com 9%. Os silos de dados (22%) e os sistemas antigos (18%) completam a lista de preocupações que, segundo o relatório, passaram a estar na mesa das administrações.
O problema de medir o retorno
Há também uma questão de contas. Sete em cada dez inquiridos (70%) dizem que a IA lhes facilitou o trabalho do dia a dia, sobretudo pelo tempo poupado, mas apenas 22% têm métricas concretas para provar o retorno do investimento. Sem esses números, os orçamentos abrandam: 58% das organizações estão indecisas ou planeiam manter ou até cortar o investimento, num quadro de incerteza geopolítica e regulatória. O estudo indica ainda que a IA não entrou pela porta da informática, mas por departamentos como o Marketing, onde a criação de conteúdos, a comunicação e o apoio ao conhecimento chegam aos 36% de adoção.
Com o regulamento europeu da IA em vigor, 90% dos profissionais veem na dependência de tecnologia estrangeira um risco real. A Quidgest não explica, no comunicado, como foram escolhidos os inquiridos, e a empresa vende ela própria soluções de agentes de IA, o que convém ter presente ao ler os resultados.
O livro que acompanha o estudo
Na mesma conferência, a Quidgest lançou o livro "Valuable AI Agents: From LLMs to Agent Capability Enablement", escrito em inglês. A obra propõe quatro prioridades para criar agentes úteis, entre elas a integração no negócio e a responsabilidade humana pelas decisões, e descreve um modelo de trabalho a que a empresa chama ACE. Inclui exemplos de agentes para dez áreas, dos recursos humanos às finanças e à contratação pública, e um simulador que estima o retorno e o esforço de cada caso de uso.
O Observatório, com 33 gráficos e 18 tendências, e a versão digital do livro estão disponíveis para descarregar sem custos no site da Quidgest.



