Euro digital
Euro digital: Telefónica e Minsait vão ligar os bancos à plataforma do BCE, mas só a partir de maio de 2027
O consórcio espanhol é o segundo dos dois fornecedores de rede escolhidos pelo Banco Central Europeu, num contrato de dez anos até 177,66 milhões de euros. O piloto do euro digital arranca com a Nexi e a Deutsche Telekom. O que é a moeda digital europeia e quando a podes vir a usar.

A Telefónica e a Minsait, empresa de tecnologia do grupo espanhol Indra, anunciaram a 2 de novembro que foram escolhidas pelo Banco Central Europeu (BCE) para montar parte da rede de comunicações e segurança do futuro euro digital. O contrato entra em vigor a 3 de maio de 2027 e dura dez anos, segundo as empresas. O anúncio do concurso no portal europeu de contratos públicos (TED), publicado a 30 de outubro, confirma o consórcio como vencedor de um dos dois lotes, com um valor máximo de 177,66 milhões de euros e quatro propostas a concurso.
O que este contrato muda (e o que não muda)
O papel das empresas é técnico e fica longe da tua carteira. A rede serve para ligar os bancos, as outras empresas de pagamentos e os bancos centrais nacionais à plataforma do euro digital gerida pelo BCE, e para pôr a comunicar as várias peças dessa plataforma, que podem estar em centros de dados diferentes. Segundo o comunicado, a Telefónica fica com a rede privada e a cibersegurança das ligações, enquanto a Minsait trata da integração das aplicações e do centro de operações de segurança, que vigia ameaças.
O consórcio também não está sozinho. No mesmo dia 30 de outubro, o BCE revelou que assinou contratos com dois fornecedores de rede: além da Telefónica e da Indra, um agrupamento da italiana Nexi com a Deutsche Telekom. Foi este o primeiro classificado, com contrato em vigor desde 28 de setembro, e é ele que vai assegurar as ligações do piloto. O contrato espanhol só começa em maio de 2027. Segundo o BCE, os dois estarão prontos a partir de 2029 e cada banco que oferecer o euro digital poderá escolher a qual se liga.
O que é o euro digital e quando chega
O euro digital seria dinheiro do banco central em formato eletrónico, como as notas e moedas mas para pagar com o telemóvel ou com um cartão, em lojas, online ou entre pessoas. O BCE diz que seria gratuito para os utilizadores, aceite em toda a zona euro e que daria para pagar mesmo sem ligação à internet. A conta ficaria num banco ou numa entidade pública intermediária, e o BCE garante que não conseguiria identificar quem paga nem o que compra a partir dos dados das transações. O argumento do banco central é que hoje não existe nenhum meio de pagamento digital europeu que funcione em toda a zona euro, e que 13 dos 20 países dependem de redes internacionais de cartões.
Nada disto chega já ao teu telemóvel. O piloto começa na segunda metade de 2027, dura 12 meses e envolve 36 empresas de pagamentos, comerciantes selecionados e funcionários do BCE e de 19 bancos centrais, incluindo o Banco de Portugal, com uma versão de teste sem curso legal. O BCE conta estar pronto para uma primeira emissão em 2029, mas só se o regulamento europeu do euro digital for aprovado ao longo de 2026, e a decisão final de emitir só será tomada depois disso. Entretanto, o BCE avisa que circulam emails e sites falsos a pedir investimentos no euro digital ou inscrições no piloto: são burlas, porque o banco central nunca pede dinheiro nem dados pessoais.



