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Metade dos consumidores conta usar IA na Black Friday: como pô-la a ajudar a confirmar descontos e lojas

Um inquérito do Portal da Queixa diz que 51% dos consumidores contam usar o ChatGPT, o Gemini ou outra IA nas compras de 27 de novembro, mas só um em cada dez compraria só porque a IA recomendou. A desconfiança tem razão de ser, e há formas de a pôr a trabalhar a teu favor.

Por · 2 min de leitura
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Mulher sentada num sofá com um portátil ao colo, a olhar para o cartão bancário que segura na mão
Imagem de arquivo. Vitaly Gariev / Pexels

A inteligência artificial vai entrar nas compras da Black Friday, que este ano calha a 27 de novembro, mas os consumidores não parecem dispostos a entregar-lhe a carteira. Um inquérito do Portal da Queixa, feito entre 1 e 27 de outubro a 652 pessoas, mostra que 51,1% tencionam usar ferramentas como o ChatGPT ou o Gemini para preparar as compras. Outros 41,1% dizem que não as vão usar e 7,8% admitem não saber como.

O dado mais interessante está no passo seguinte. Perante uma sugestão da IA, apenas 9,6% comprariam logo. A maioria, 68,1%, iria confirmar a informação noutras fontes (37,8%) ou procurar a reputação da marca ou da loja (30,3%). E 65,8% dizem que, perante uma loja mais barata mas com pior fama, procurariam mais informação ou escolheriam a de melhor reputação, mesmo pagando mais.

Para que querem os consumidores a IA

Entre quem conta usá-la, o objetivo principal é comparar preços (49,8%), seguido de confirmar se uma promoção compensa mesmo (41,4%) e de comparar produtos (35,7%). Para confiarem numa recomendação, os inquiridos dão mais peso à reputação da loja (54,1%) do que à própria comparação de preços (45,6%), e pedem também avaliações de outros clientes, histórico de preços e fontes identificadas.

Os receios batem certo com estas prioridades. A maior preocupação são os falsos descontos, quando a loja sobe o preço antes da campanha para depois anunciar uma redução (38,8%), seguida das lojas e sites fraudulentos (29,4%). A tecnologia é a categoria mais procurada (39,1%), à frente da moda (35,1%), e quem já fez as contas prevê gastar, em média, cerca de 255 euros.

Como usar a IA sem lhe entregar a decisão

Um assistente de IA pode poupar tempo a resumir características, a comparar modelos parecidos ou a lembrar-te de perguntas que não farias. Mas pode responder com preços desatualizados ou lojas que não existem, por isso pede-lhe sempre as ligações de onde tirou a informação e abre-as tu. Se não houver fonte, trata a resposta como um palpite.

Para o preço, o ponto de partida é a lei. Segundo a DECO PROteste, qualquer desconto tem de ser calculado sobre o preço mais baixo que a loja praticou nos 30 dias anteriores, e esse valor tem de estar indicado no anúncio. Pede à IA para te explicar a regra e faz tu a conta com os números que a loja mostra, ou confirma o preço num comparador, como o Comparar preços da própria DECO.

Para a loja, o Portal da Queixa tem o Não Sejas Pato, uma pesquisa com IA que avalia marcas e sites a partir de informação pública. O serviço avisa que as respostas não refletem a opinião oficial da empresa e podem não estar exatas, por isso usa-o como primeiro filtro. Depois confirma as reclamações no próprio Portal da Queixa e se o site tem morada e contactos, e lembra-te de que nas compras online tens 14 dias para desistir sem dar justificação.

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