Voyager 1
Voyager 1 esteve dois dias sem dar sinal e voltou sozinha: NASA investiga a troca de propulsores da sonda
A duas semanas de chegar a um dia-luz da Terra, a sonda mais distante de sempre deu um susto à equipa: deixou de responder entre 18 e 20 de outubro. Antes disso, a NASA tinha conseguido poupar energia com uma troca de aparelhos que adia o fim de mais um instrumento.

A equipa da Voyager 1 passou dois dias sem saber da sonda. Segundo a NASA, as grandes antenas da Deep Space Network, espalhadas por três locais do planeta, não conseguiram captar o sinal da Voyager 1 em duas tentativas marcadas, a 18 e a 19 de outubro, com 24 horas de intervalo. O sinal reapareceu a 20 de outubro, antes de os engenheiros terem enviado qualquer comando para tentar resolver o problema, e o contacto mantém-se desde então. A sonda está a cerca de 24 mil milhões de quilómetros da Terra.
Propulsores trocados sem aviso
A investigação ainda decorre. Para já, a equipa do Jet Propulsion Laboratory (JPL) apurou que um grupo de propulsores se desligou e que os de reserva entraram em funcionamento. Essa troca está programada para acontecer de forma automática quando os computadores de bordo detetam algo de errado com os propulsores ativos. É uma proteção contra falhas que põe a sonda numa configuração segura e suspende as operações normais, para dar tempo aos engenheiros de perceber o que se passa.
O gestor da missão, Kareem Badaruddin, diz que é "a primeira vez" que a equipa vê a sonda fazer algo assim, e lembra que, nesta fase da missão, é preciso contar com o inesperado. A Voyager 1 foi lançada em 1977 e, com a gémea Voyager 2, é uma das duas únicas naves que estudaram diretamente o espaço interestelar.
A troca que poupou energia
O susto chegou poucas semanas depois de uma boa notícia. No início de setembro, os engenheiros desligaram três aparelhos da Voyager 1 e substituíram-nos por três alternativas que gastam menos energia. A operação, a que a NASA chamou Big Bang, teve de ser feita de uma só vez, porque esses aparelhos ajudam a manter a sonda quente e a distribuir o calor. A mesma troca tinha sido feita na Voyager 2 cerca de seis semanas antes.
As duas sondas funcionam com geradores que transformam em eletricidade o calor do plutónio a decair e perdem cerca de 4 watts por ano. Nos últimos anos, a falta de energia já obrigou a desligar dois instrumentos científicos. Segundo a NASA, sem o Big Bang seria preciso desligar mais um na Voyager 1 já no verão de 2027, e agora os que restam podem funcionar mais tempo do que o previsto.
A próxima data a marcar é 18 de novembro. Nesse dia, a Voyager 1 fica a 25,89 mil milhões de quilómetros, a distância que a luz percorre num dia. Qualquer mensagem passa a demorar 24 horas a lá chegar e a resposta outras 24 a voltar, mas, como nota a NASA, nada muda a bordo quando a sonda passar essa marca.



