Binance
Roubo de 6,3 mil milhões de dólares à Binance: levantamentos reabrem por fases e 95% das perdas estão cobertas
Quase uma semana depois do maior roubo de criptomoedas de que há registo, a Binance diz que os clientes não vão pagar a conta e já reabriu parte dos levantamentos. O FBI aponta para a Coreia do Norte e circulam falsas compensações de 150 dólares.

O ataque à Binance, a maior plataforma de criptomoedas do mundo, começou às 20h05 (hora de Lisboa) de 29 de outubro. Segundo a empresa de análise TRM Labs, saíram nessa noite cerca de 6,36 mil milhões de dólares de carteiras da Binance em dez blockchains, a maior parte em cerca de 20 minutos. É o maior roubo de criptomoedas de que há registo, perto de quatro vezes o da Bybit, em fevereiro de 2025, com 1,5 mil milhões.
O que se sabe do ataque e quem é apontado
A Binance disse ao BleepingComputer que o ponto de entrada terá sido o portátil comprometido de um engenheiro de DevOps, que deu acesso a um serviço interno capaz de submeter levantamentos não autorizados. A empresa garante que não encontrou sinais de fuga das chaves privadas das carteiras. O co-CEO, Richard Teng, acrescentou que o atacante não se limitou a usar as permissões de um engenheiro e que o processo foi mais complexo, com outros pontos de intrusão ainda em análise. Para a TRM Labs, tudo indica que foi comprometido o sistema que assina as transações das carteiras ligadas à internet, com autorizações preparadas antes do roubo.
A TRM e a Chainalysis atribuíram o ataque ao TraderTraitor, unidade de piratas informáticos norte-coreana também conhecida como Lazarus. A 31 de outubro, o FBI disse ter determinado que a Coreia do Norte foi responsável e publicou 628 endereços usados para lavar os fundos. Emissores de stablecoins como a Tether e a Circle, mais a rede Arbitrum, congelaram cerca de 2,7 mil milhões de dólares, mas, nas contas da TRM, o atacante ficou com perto de 2,4 mil milhões que ninguém consegue bloquear.
Do lado da segurança, a Kaspersky lembra que os funcionários técnicos das plataformas continuam a ser um alvo preferido. A Check Point defende que os equipamentos de programadores e administradores devem ser tratados como alvos de elevado valor.
Levantamentos e perdas: o ponto da situação
A Binance reabriu os levantamentos a 1 de novembro, por fases. Segundo a Bitcoin.com News, a primeira fase abrangeu 15 redes e ativos, entre eles bitcoin, ether, USDT, USDC, BNB, Solana, XRP e Dogecoin, e a empresa diz ter processado 4,65 mil milhões de dólares em levantamentos nas primeiras nove horas e meia. Os restantes ativos voltam "quando estiverem prontos", sem data. Os depósitos nunca pararam.
Quanto às perdas, a plataforma diz ter reposto cerca de 95% dos ativos roubados, contra 90% a 31 de outubro e 80% antes disso, usando o fundo de proteção SAFU, parte do fundo de seguro de futuros e dinheiro próprio. Os 5% em falta são tokens menos líquidos que continua a comprar. A empresa repete que o prejuízo não passa para os clientes. A prova de reservas completa, que demora 40 a 50 horas a gerar, ficou prometida até 3 de novembro.
Se tens conta na Binance
A Binance não divulgou números por país, e o compromisso de cobrir as perdas vale para todos os clientes, incluindo os portugueses. Se um levantamento falhar, a plataforma pede que voltes a tentar mais tarde e que confirmes na página do ativo se a rede já está disponível.
O maior risco agora são as burlas. Circulam imagens falsas a prometer 150 dólares de compensação pela suspensão dos levantamentos. A cofundadora Yi He esclareceu que não existe nenhuma campanha de vales em dinheiro e a diretora de marketing interina, Eowyn Chen, que não há compensação pela pausa. Ignora ligações que peçam para "reclamar" prémios, nunca dês a frase de recuperação nem códigos de autenticação e segue só as contas oficiais da Binance.



