ExplicadorRegulamento da IA
Lei europeia da IA proíbe a 2 de dezembro as apps que criam nus falsos: o que já mudou e o que fica para 2027
Desde agosto, os chatbots têm de dizer que são máquinas e os deepfakes têm de vir assinalados. Em dezembro entra a nova proibição criada pela revisão do regulamento, e as regras para usos de alto risco, como triagem de currículos ou crédito, foram adiadas para 2027 e 2028.

O regulamento europeu da inteligência artificial entrou em vigor em agosto de 2024, mas as regras foram chegando por fases, e uma revisão aprovada este ano mudou parte do calendário. A próxima data que interessa a quem usa IA no dia a dia é 2 de dezembro de 2026. A partir desse dia, ficam proibidos na União Europeia os sistemas de IA que geram conteúdo sexual explícito e íntimo de pessoas sem o seu consentimento, as chamadas apps de "nudificação", e os que produzem material de abuso sexual de menores.
Esta proibição não constava do texto original. Foi acrescentada pelo chamado AI Omnibus, o pacote de simplificação que a Comissão Europeia propôs a 19 de novembro de 2025 e que entrou em vigor a 27 de julho de 2026. Junta-se a oito práticas proibidas desde fevereiro de 2025, como a pontuação social, a manipulação prejudicial, o reconhecimento de emoções no trabalho e nas escolas e a recolha indiscriminada de imagens da internet ou de câmaras de videovigilância para criar bases de dados de reconhecimento facial.
O que já se aplica desde agosto
A maior parte do regulamento passou a aplicar-se a 2 de agosto de 2026, e com ela as regras de transparência. Na prática, quando falas com um chatbot, tens de ser informado de que estás a interagir com uma máquina. Quem fornece IA generativa tem de garantir que o conteúdo produzido pode ser identificado como artificial, e os deepfakes, tal como textos publicados para informar o público sobre assuntos de interesse público, têm de ser assinalados de forma clara e visível.
Os fornecedores de sistemas que geram conteúdo sintético e que já estavam no mercado antes de agosto têm um período de transição: a obrigação de marcar o que produzem como artificial só se aplica a eles a partir de 2 de dezembro. Para ajudar, a Comissão publicou um código de conduta voluntário com um conjunto de ícones que criadores e editores podem usar para indicar que uma imagem, um áudio ou um texto foram feitos com IA. Também desde agosto, o Gabinete Europeu da IA e as autoridades nacionais podem fiscalizar e fazer cumprir o regulamento. Em Portugal, o Governo escolheu em setembro de 2025 a ANACOM como reguladora, segundo o ECO.
O que ficou adiado
A revisão empurrou as regras mais exigentes. Os sistemas de alto risco usados em áreas sensíveis, como a triagem de currículos, o acesso ao crédito, a avaliação de exames ou a gestão de fronteiras, só ficam sujeitos às novas obrigações a 2 de dezembro de 2027. Entre elas estão a avaliação de riscos, dados de qualidade para evitar discriminação, registo da atividade e supervisão humana.
A IA integrada em produtos já regulados, como máquinas, brinquedos ou elevadores, tem um prazo ainda mais longo, até 2 de agosto de 2028. Antes disso, até 2 de agosto de 2027, cada país da UE tem de ter pelo menos um ambiente de testes regulatório a funcionar, onde empresas podem experimentar sistemas de IA sob supervisão.



