OpenAI
Milhares de agentes de IA da OpenAI analisam em 32 minutos dados de milhões de células do cérebro de ratinhos
Cada agente estudou o efeito de desligar um gene e foi procurar explicações na literatura científica. Entre as pistas que deixaram está uma possível ligação entre o colesterol e uma doença parecida com Parkinson, que ainda tem de ser testada em laboratório.

A OpenAI pôs milhares de agentes de inteligência artificial a trabalhar ao mesmo tempo sobre dados de milhões de células do cérebro de ratinhos, e diz que a análise ficou feita em 32 minutos. O trabalho, divulgado a 21 de outubro, foi feito com a empresa PerturbAI e o instituto Scripps Research. Os agentes funcionaram com o GPT-Rosalind, um modelo de IA da própria OpenAI. Segundo a equipa, uma análise semelhante feita por pessoas, um gene de cada vez, levaria meses ou até um ano.
Um gene para cada agente
Os dados vêm de um atlas que mostra o que acontece às várias células do cérebro de ratinho quando se desliga um gene com a técnica CRISPR. São milhares de genes alterados e milhões de células medidas, mais do que uma equipa consegue examinar com cuidado. A solução foi dividir o trabalho: cada agente ficou com um gene, analisou a resposta das células, procurou estudos relacionados e propôs uma explicação. No fim, os relatórios foram juntos num atlas que liga genes, efeitos nas células, artigos científicos e mecanismos possíveis, que a OpenAI diz estar disponível para outros investigadores.
A empresa testou também se um único agente, com o mesmo modelo e os mesmos recursos, chegava ao mesmo resultado. À medida que a tarefa crescia, o agente sozinho pesquisava menos: no volume de trabalho mais alto citou 11 estudos, contra mais de 700 dos agentes em paralelo. Em comparações às cegas, especialistas preferiram os relatórios dos agentes em paralelo em 75% dos casos. Segundo a OpenAI, os agentes reproduziram as conclusões a que os cientistas já tinham chegado e encontraram pistas novas.
As pistas encontradas
Uma delas envolve dois genes que trabalham em conjunto, o Tsc1 e o Tsc2. Desligá-los teve efeitos parecidos em vários grupos de neurónios, mas no cerebelo, a zona que ajuda a coordenar os movimentos, só o Tsc2 mexeu com dezenas de genes ligados à comunicação entre neurónios. A diferença pode interessar a quem estuda a esclerose tuberosa, uma doença em que as alterações no cerebelo estão muito associadas a mutações no TSC2.
A outra pista é sobre o gene DCTN1, cujas mutações causam a síndrome de Perry, uma doença neurodegenerativa com sintomas parecidos com os do Parkinson. No atlas, desligar este gene aumentou a atividade dos genes que fabricam colesterol. Os agentes cruzaram o resultado com estudos anteriores e sugeriram que problemas no transporte do colesterol dentro dos neurónios podem contribuir para a doença.
São hipóteses, não descobertas confirmadas. A própria OpenAI diz que servem para escolher que experiências vale a pena fazer a seguir, e que os cientistas continuam no centro do processo. O artigo com os resultados foi publicado no bioRxiv, um repositório onde os estudos aparecem antes da revisão por outros cientistas, e os dados do atlas genético estão abertos no Hugging Face.



