IA no trabalho
Saltar entre a IA e as outras apps custa 22 dias de trabalho por ano, estimam gestores ouvidos pela Salesforce
Num inquérito da Salesforce a 250 gestores norte-americanos, a maioria diz que o que se faz com IA fica preso no computador de quem a usou: ninguém reaproveita os resultados e há colegas a resolver o mesmo problema sem o saberem. A empresa, que vende agentes de IA para equipas, quer mostrar o custo dessa dispersão.

Quem usa inteligência artificial no trabalho conhece o ritmo: copiar um texto para o assistente, colar a resposta no email, voltar à folha de cálculo, abrir outra ferramenta. Um inquérito da Salesforce estima que esse vaivém custa, em média, 3,6 horas por semana a cada trabalhador. Num ano de 50 semanas são cerca de 181 horas, perto de 22 dias úteis. O estudo foi publicado pela empresa a 27 de outubro e divulgado em Portugal a 5 de novembro.
Quem respondeu e o que foi medido
Convém perceber de onde vem o número. A Salesforce fez um inquérito em dupla ocultação a 250 executivos dos Estados Unidos, com cargo de diretor ou superior e poder de decisão sobre investimentos em IA, entre 14 e 22 de setembro de 2026. As horas perdidas são uma estimativa desses gestores sobre o tempo das suas equipas, e não uma medição feita nos computadores dos trabalhadores. Não há dados de empresas portuguesas nem europeias. A Salesforce vende software empresarial com agentes de IA e apresenta-se como líder em gestão de clientes com IA, por isso tem interesse direto na conclusão a que chega.
O retrato é o de uma IA usada a solo. Todas as semanas, 68% dos inquiridos veem resultados obtidos com IA que ficam sem ser partilhados ou reaproveitados pela equipa. Outros 66% notam que dois colegas usaram a IA para atacar o mesmo problema em separado, sem saberem um do outro, o que obriga depois a conciliar respostas diferentes. E 59% dizem que há trabalho parado porque ficou preso na ferramenta de IA de uma só pessoa.
Grandes empresas sentem mais o problema
A dimensão pesa. Entre os executivos de grandes empresas, 73% relatam bloqueios semanais deste tipo, contra 37% nas pequenas e médias empresas. Segundo o comunicado português, 49% das organizações estão a implementar agentes de IA, programas capazes de executar tarefas com alguma autonomia. Só 15% os têm integrados em vários sistemas e interfaces, e apenas 11% dizem ter todas as ferramentas de IA num único ambiente, sem tempo perdido a saltar entre aplicações.
Perguntados sobre o que escolheriam se começassem do zero, 72% preferem uma IA que funcione para toda a equipa, com contexto partilhado, e 26% ficariam com o uso individual. A Salesforce chama a isto passar da IA de um só jogador para a IA de vários jogadores, e quem dá a cara pela ideia no artigo da empresa é Rob Seaman, vice-presidente executivo e diretor-geral do Slack.
Para quem trabalha em Portugal, o estudo não diz quantas horas se perdem cá. O que descreve é reconhecível em qualquer escritório onde cada pessoa usa o seu assistente: se a tua equipa usa IA, combinar onde ficam guardados os pedidos e as respostas que funcionaram evita repetir trabalho. A metodologia completa está no fim do artigo publicado pela Salesforce.
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