KPMG
Só 12% das empresas comparam sempre o que gastam em IA com o que ela rende, diz estudo da KPMG
Quase nove em cada dez empresas dizem já ver benefícios mensuráveis da inteligência artificial, mas poucas sabem se compensam o que custam. O inquérito a 2.131 gestores em 20 países mostra também que os agentes de IA estão a entrar no dia a dia dos trabalhadores mais depressa do que no início do ano.

As empresas estão a gastar cada vez mais em inteligência artificial, mas poucas conseguem dizer se o dinheiro está a ser bem aplicado. É a principal conclusão do Global AI Pulse do 3.º trimestre de 2026, um inquérito da KPMG International a 2.131 gestores de topo de 20 países, feito online entre 23 de julho e 26 de agosto. A KPMG Portugal divulgou os resultados a 4 de novembro. A consultora, que também vende serviços para levar a IA às empresas, ouviu organizações com faturação acima de 50 milhões de dólares (100 milhões em alguns países). Portugal não está entre os países inquiridos, mas Espanha, França, Alemanha, Itália, Irlanda e Reino Unido estão.
Benefícios que ninguém compara com a fatura
Segundo o relatório, 89% das organizações dizem já ter benefícios mensuráveis da IA. O controlo dos gastos também está espalhado: 61% analisam os custos quando aprovam um projeto e 59% acompanham-nos depois de o sistema estar a funcionar. O passo seguinte é que falha. Só 12% comparam de forma consistente, em toda a empresa, o valor obtido com o que a tecnologia custa, e outros 26% fazem-no na maior parte das iniciativas. Entre as 208 empresas que já dizem ter retorno consolidado, essa percentagem sobe para 48%.
Ao mesmo tempo, o investimento continua a crescer. O valor médio previsto para os 12 meses seguintes passou de 186 para 210 milhões de dólares por organização desde o 1.º trimestre, mais 13%. Na região da Europa, Médio Oriente e África, a subida foi de 29%, de 157 para 203 milhões de dólares; nas contas da KPMG Portugal, isso dá cerca de 180 milhões de euros. As Américas cresceram 7% e a Ásia-Pacífico ficou praticamente igual. Para Rui Gonçalves, responsável pela consultoria tecnológica da KPMG em Portugal, o perigo para as empresas portuguesas está em "investir sem saber o que gera retorno".
Agentes de IA chegam aos trabalhadores
Para quem trabalha numa destas empresas, o dado mais palpável é o dos agentes de IA, programas que executam tarefas com alguma autonomia. A percentagem de organizações em que os trabalhadores já os usam de forma significativa subiu de 25% para 34% em seis meses, e 38% estão a desenvolver sistemas em que vários agentes trabalham em conjunto. A produtividade continua a ser o objetivo principal, mas perdeu peso: era a prioridade de 42% das empresas no início do ano e agora é de 37%.
A Europa também está a recuperar terreno. Na região que inclui o nosso continente, 56% das empresas já usam a IA em escala, contra 40% no 1.º trimestre, e a diferença para as Américas (64%) encolheu de 16 para oito pontos percentuais. Com a expansão vem mais controlo: 53% das empresas já põem um gestor de topo ou a comissão executiva a responder pelas decisões tomadas com apoio da IA, e 86% dizem estar a adaptar a cibersegurança às ameaças criadas pela própria tecnologia.
Outra preocupação crescente é saber de quem são os modelos e onde ficam os dados. Cerca de 72% das empresas já aplicam critérios formais sobre o controlo dos modelos de IA, dos dados e da propriedade intelectual, mas só 21% têm uma estratégia para toda a organização revista com regularidade. O relatório completo, em inglês, pode ser descarregado gratuitamente na página da KPMG Portugal.



