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SAP diz que a IA falha nas empresas quando trabalha à margem dos dados e dá o exemplo da Symington

Num encontro com empresários em Leça da Palmeira, a SAP defendeu que a maioria das empresas ainda não tira valor da inteligência artificial porque a usa isolada dos sistemas e dos processos. A produtora de vinho do Porto contou como ligou encomendas, faturas e a comunicação com a AT para cortar trabalho manual.

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Três colegas num escritório claro: duas mulheres trabalham em computadores portáteis e um homem de camisola vermelha consulta papéis ao lado
Imagem de arquivo. olia danilevich / Pexels

Muitas empresas portuguesas já experimentaram a inteligência artificial, mas poucas a puseram a trabalhar no que realmente pesa no negócio. Foi esta a mensagem que a SAP levou ao SAP Business Innovation Forum, um encontro com empresários, clientes e especialistas que decorreu no fim de outubro na sede da AEP, a Associação Empresarial de Portugal, em Leça da Palmeira. A empresa divulgou as conclusões a 4 de novembro. Convém ter presente que a SAP vende software de gestão para empresas e ferramentas de IA, e que o comunicado, como a própria nota indica, foi escrito com ajuda de IA e revisto por pessoas.

Porque a IA fica pelos pilotos

Para sustentar a ideia, a SAP usou um número da Boston Consulting Group: 74% das empresas ainda não conseguiram valor tangível com a IA. O dado vem de um estudo que a BCG publicou em outubro de 2024, com base num inquérito a mil gestores de 59 países, e não de uma análise recente ao mercado português. A explicação da SAP é que os modelos de IA são aplicados à margem dos sistemas onde estão os dados. Em áreas como finanças, compras, recursos humanos ou cadeia de abastecimento, a qualidade das respostas depende de a IA conhecer as regras e os processos de cada empresa.

João Carvalho, diretor de finanças e gestão de despesas da SAP para o Sul da Europa, resumiu-o assim: o problema não está na capacidade dos modelos, está em usá-los isolados dos sistemas e dos processos. Segundo a empresa, as próprias equipas da SAP já usam estas ferramentas em finanças, recursos humanos e compras, com ganhos de produtividade que não foram quantificados.

O exemplo do vinho do Porto

O caso apresentado foi o da Symington Family Estates, produtora familiar de vinhos do Porto e do Douro. A empresa tem usado a tecnologia para reduzir o trabalho manual, ligando as encomendas, as faturas de fornecedores e a troca de informação com os operadores logísticos e com entidades como o Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto e a Autoridade Tributária. António Marquez Filipe, diretor de operações, sublinhou que é preciso escolher onde vale a pena normalizar processos e onde compensa diferenciar, e garantir que as pessoas acompanham a mudança.

Para quem trabalha nestas empresas, a proposta da SAP passa pelo que chama empresa autónoma: assistentes e agentes de IA executam tarefas e vão buscar informação, enquanto as pessoas mantêm a supervisão e a última palavra. A empresa lembrou que o Norte concentra 42% das empresas exportadoras portuguesas e disse que mais de 80% dos seus clientes em Portugal são empresas em crescimento, acompanhadas por uma rede de mais de 50 parceiros. A SAP não divulgou quantas empresas portuguesas já usam os seus agentes de IA.

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