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O que acontece às contas Google e Apple quando alguém morre e como deixar tudo preparado
Fotografias, emails e cópias de segurança podem ficar inacessíveis à família se ninguém tiver tratado do assunto em vida. A Google e a Apple têm ferramentas próprias para isso, com regras diferentes sobre o que se partilha, quem pode pedir acesso e durante quanto tempo.

Grande parte das fotografias de família, dos emails e dos documentos de hoje vive em contas online, protegidas por palavras-passe e autenticação de dois fatores que mais ninguém conhece. Quando o titular morre sem ter deixado instruções, a família pode ficar sem acesso a tudo isso. A Google e a Apple, donas das contas que estão por trás de quase todos os telemóveis Android e iPhone, têm ferramentas para decidir em vida o que acontece aos dados. Funcionam de forma diferente e convém configurá-las com tempo.
Na Google, a conta avisa quando deixas de a usar
A Google usa o Gestor de contas inativas, que está em myaccount.google.com/inactive. Escolhes ao fim de quanto tempo sem atividade a conta é considerada inativa e quem deve ser avisado, até 10 pessoas, podendo partilhar com cada uma tipos de dados diferentes, como o Gmail, o Google Drive ou o YouTube. Para saber se ainda usas a conta, a empresa olha para os inícios de sessão, para a atividade registada, para o uso do Gmail no telemóvel e para as confirmações feitas no Android. Os contactos só recebem a mensagem quando o prazo termina e têm de confirmar a identidade com um número de telefone antes de descarregar os dados.
Também podes deixar instruções para a conta ser apagada. Se não fizeres nada, vale a política de contas inativas: a Google pode eliminar contas pessoais que não sejam usadas em nenhum serviço durante pelo menos dois anos. Há exceções, por exemplo quando a conta paga uma subscrição ativa ou guarda um cartão-presente com saldo. Sem plano definido, a família pode pedir à Google o encerramento da conta de uma pessoa falecida e, em certas circunstâncias, o conteúdo, mas a empresa avisa que analisa cada caso e que nunca entrega palavras-passe.
Na Apple, o contacto de legado tem uma chave
A Apple usa o contacto de legado. No iPhone ou iPad, entra em Definições, toca no teu nome, depois em Início de sessão e segurança e em Contacto de legado; no Mac, o caminho é o mesmo nas Definições do Sistema. É preciso o iOS 15.2, o iPadOS 15.2 ou o macOS Monterey 12.1 ou posterior, e a autenticação de dois fatores ligada. A pessoa escolhida não precisa de ter um aparelho Apple, mas tem de guardar a chave de acesso que é gerada, por mensagem ou numa cópia impressa.
Depois da morte, o contacto de legado faz o pedido com essa chave e a certidão de óbito. Tem acesso às Fotografias em iCloud, Mail, Mensagens, notas, contactos, ficheiros do iCloud Drive, dados de saúde e cópias de segurança. Ficam de fora os filmes, a música e os livros comprados, as subscrições, os dados de pagamento e tudo o que está no Porta-chaves, incluindo palavras-passe. Não dá para escolher só algumas categorias. O acesso dura três anos a contar da aprovação do primeiro pedido e, depois disso, a conta é apagada de vez.



