Condução autónoma
Quatro em cada dez condutores portugueses esperam carros autónomos em dez anos: o que a lei já deixa fazer
Um inquérito da EasyPark e da Arrive diz que 40,1% dos condutores acreditam que em 2036 os carros já podem andar sozinhos ou guiados por IA. As empresas não revelaram quantas pessoas responderam. Em Portugal, a lei só deixa fazer testes, e na Europa o máximo à venda ainda exige alguém ao volante.

Um inquérito feito pela EasyPark, a empresa da aplicação de estacionamento, e pela Arrive, o grupo de mobilidade a que pertence, concluiu que 40,1% dos condutores portugueses acreditam que, dentro de dez anos, os carros poderão ser autónomos ou conduzidos por inteligência artificial. Os resultados foram divulgados a 21 de outubro. Do outro lado, quase 30% dos inquiridos acham que uma década não chega para isso acontecer ou que a tecnologia nem faz sentido no contexto português. Scott Booker, diretor-geral de estacionamento da Arrive, lê os números com otimismo, mas lembra que "a segurança destas soluções é fundamental" para condutores e peões.
O que se sabe (e não se sabe) do estudo
Segundo as duas empresas, os dados vêm de um questionário dirigido a condutores de todo o país. É tudo o que foi revelado sobre o método. O comunicado não diz quantas pessoas responderam, quando foi feito o inquérito, se os participantes eram utilizadores da aplicação nem se a amostra foi ajustada para representar a população. Também não explica o que responderam os restantes inquiridos. Sem estes dados, os números servem como sinal do que pensa quem respondeu, e não como retrato fiel dos condutores portugueses.
O que a lei já permite em Portugal
Por cá, um carro não pode andar sozinho na estrada. Desde julho está em vigor o Decreto-Lei n.º 113/2026, publicado a 8 de junho, que cria pela primeira vez um regime para licenciar testes de condução automática em vias públicas. As licenças são pedidas ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) e ficam reservadas a laboratórios de investigação, universidades e empresas dos setores automóvel, das infraestruturas e dos transportes. Os carros em teste têm de circular sempre 20 km/h abaixo do limite da via, com um seguro de cobertura mínima quatro vezes superior à normal, e o condutor ou operador precisa de ter carta há pelo menos seis anos. Como sublinhou o Tek Notícias quando a lei entrou em vigor, isto não legaliza a condução autónoma para uso pessoal ou comercial.
E no resto da Europa
O que se vende atualmente nos concessionários europeus ainda não dispensa o condutor. O passo mais avançado está na Alemanha, onde a Mercedes recebeu em 2024 aprovação para um sistema de nível 3, o Drive Pilot, que conduz sozinho nas autoestradas até 95 km/h, em certas condições, nos Classe S e EQS. Enquanto está ligado, o condutor pode legalmente ler ou trabalhar, mas tem de estar pronto a retomar o controlo. Os sistemas mais recentes que conduzem também na cidade, como o MB.DRIVE ASSIST PRO de que o MEGAzine já falou, continuam a ser de nível 2, com o condutor sempre atento e responsável. Os robotáxis sem condutor ainda são planos: a Bolt, por exemplo, só prevê pôr os primeiros carros a circular em Madrid em 2027, ainda a recolher dados e dependente de aprovação, e Portugal não consta do calendário.
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