Ciberespionagem
Grupo ligado à China usou agentes de IA para tentar entrar em mais de 2.250 contas Microsoft 365 de empresas
A Microsoft diz que o Storm-0940 recorreu ao ARTEX, uma ferramenta aberta de testes de intrusão movida por modelos de IA, para atacar centenas de organizações. Em alguns casos chegou a acessos privilegiados em menos de três horas. A porta de entrada foi o serviço de cópias de segurança de um fornecedor informático.

A Microsoft descreveu um ataque em grande escala em que um grupo de espionagem ligado a um Estado entregou boa parte do trabalho a agentes de inteligência artificial. Segundo a equipa de investigação de ameaças da empresa, o Storm-0940, um grupo alinhado com o Estado chinês e ativo desde 2021, usou desde pelo menos setembro uma ferramenta chamada ARTEX para atacar centenas de organizações em vários setores. A Microsoft atribui-lhe também o ataque à cadeia de fornecimento da ConnectWise, uma empresa de software de gestão informática, segurança e cópias de segurança usado por prestadores de serviços tecnológicos. Em vários casos, o grupo passou do primeiro contacto ao acesso privilegiado à nuvem da vítima em menos de três horas.
O que é o ARTEX
O ARTEX é uma ferramenta de código aberto criada para testes de intrusão, os ataques simulados que as empresas encomendam para descobrir as próprias falhas. Funciona com vários agentes baseados em modelos de linguagem, e pode usar qualquer modelo de IA, que fazem o trabalho todo desde o reconhecimento do alvo até à extração de dados, com pouca intervenção humana. A interface está em inglês por omissão, mas também funciona em coreano, mandarim, espanhol e japonês. A Microsoft diz ter visto grupos de várias regiões do mundo a usá-la, e em outubro já tinha sido associada a fugas de dados em instituições financeiras coreanas.
Como o ataque chegou ao Microsoft 365
Entre 10 e 14 de outubro, a infraestrutura do grupo lançou uma campanha automática de tentativa de palavras-passe contra 327 contas de oito organizações. Logo a seguir surgiram as primeiras notícias sobre o ataque ao ConnectWise Cloud Backup (antes chamado SkyKick), um serviço com autorização para aceder aos ambientes Microsoft 365 dos clientes. Com essa aplicação comprometida, os agentes do ARTEX tentaram iniciar sessão em mais de 2.250 ambientes de clientes. Em alguns, foram além da autenticação: listaram diretórios e alteraram credenciais de aplicações, grupos e funções privilegiadas para garantirem que podiam voltar.
A Microsoft sublinha dois pontos. Os seus sistemas não foram comprometidos, e uma tentativa de entrada bem-sucedida não significa, por si, que houve dados copiados. A maioria dos ataques falhou, mas o grupo conseguiu acessos persistentes em muitas organizações em pouco tempo, porque a ferramenta acelerou à velocidade de uma máquina tarefas que já faziam parte dos métodos habituais do grupo.
O que fazer se a tua empresa usa a ConnectWise
O alerta dirige-se a quem gere sistemas, e não a utilizadores domésticos. A Microsoft recomenda manter desligadas as ligações à aplicação da ConnectWise até a empresa dar instruções formais de reposição, rever todos os ambientes Microsoft 365 onde ela esteve autorizada, mesmo que já não seja usada, e analisar a atividade desde 15 de outubro, incluindo regras de reencaminhamento de email e permissões de caixas de correio. Perante qualquer sinal suspeito, a indicação é retirar permissões desnecessárias e trocar as credenciais. A ConnectWise publicou o primeiro aviso a 16 de outubro e tem atualizado as orientações desde então.
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