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Certificados

Firefox, Chrome e Apple bloqueiam certificados da eMudhra com chaves tão fracas que uma delas valia 4

Oito certificados intermédios de uma autoridade de certificação usavam chaves privadas que qualquer pessoa conseguia descobrir em segundos. Com elas, um atacante podia fazer-se passar por sites legítimos. Os browsers já os bloquearam, mas há programas que só ficam protegidos com uma atualização.

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Pessoa de costas a escrever num portátil Dell com uma página de configuração de comunicação cifrada aberta no ecrã e o desenho de um cadeado
Imagem de arquivo. WEB.DE / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Mozilla, a Google e a Apple bloquearam oito certificados da autoridade de certificação eMudhra, depois de se descobrir que as chaves privadas que os protegiam eram muito fáceis de adivinhar. Os certificados intermédios são peças da cadeia de confiança que permite ao browser mostrar que uma ligação HTTPS é legítima. Quem tivesse as chaves podia emitir certificados falsos para sites que não controla e, se conseguisse intercetar a ligação, fazer-se passar por eles e ler ou alterar o que passa entre ti e o site. A Mozilla recebeu o alerta a 17 de outubro e publicou o relato do incidente a 20.

Chaves que cabiam num punhado de tentativas

Segundo o relatório entregue à Mozilla e citado pelo BleepingComputer, os oito certificados usavam chaves P-384 geradas em abril de 2025 com valores inferiores a 256. Bastava testar 256 números para as recuperar. Um investigador publicou no GitHub a chave de um dos certificados, o "EM OV TLS CA - G3C", para provar o problema: o valor era 4. A eMudhra atribuiu a falha a um erro no programa que gerou as chaves, que criou um segundo conjunto de chaves fracas com nomes parecidos aos das boas, e foram essas as escolhidas para assinar.

A empresa diz que a maioria destes certificados nunca foi usada em produção e que não encontrou indícios de terem servido para emitir certificados a clientes. Ainda assim, as chaves estiveram expostas desde abril de 2025, e não há forma de garantir que ninguém as descobriu antes. A eMudhra revogou os oito certificados e deixou de emitir certificados com a raiz G3.

O que tens de fazer

Se usas o Firefox com as definições normais, já estás protegido: a Mozilla bloqueou os certificados através da OneCRL, a lista central de certificados revogados, e diz que a distribuição a todos os utilizadores ficou concluída em menos de três horas, sem ser preciso atualizar nem reiniciar. Para quem tem configurações que impedem essa lista de chegar, a empresa lançou o Firefox 158.0.1 para computador e Android, e o Firefox ESR 115.43.1 e 153.5.1. A 21 de outubro saiu ainda o Firefox 158.0.2 para Android, que corrige um problema que atrasava a aplicação do bloqueio no arranque. Segundo o BleepingComputer, o Chrome bloqueou os certificados a 17 de outubro e a Apple a 19.

O risco que sobra está nos programas que usam uma lista de certificados própria ou que não verificam revogações. Já há correções para o Ubuntu, o Arch Linux, o Alpine, o Go, o pacote certifi do Python, o pip e o Electron, entre outros, mas o Debian, o FreeBSD, o Node.js e o Bun ainda estavam à espera na lista publicada por um engenheiro da Mozilla. O mesmo engenheiro avisa que o curl incluído no macOS pode continuar a confiar nestes certificados. Na prática, para a maioria das pessoas basta manter o browser e o sistema atualizados; quem gere servidores ou programa deve instalar as novas versões dos certificados raiz assim que estejam disponíveis.

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