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Clima

Calor do verão de 2026 matou mais de 50 mil pessoas nas cidades europeias, 476 em Portugal, estima estudo

Investigadores do Imperial College London e da London School of Hygiene & Tropical Medicine modelaram as mortes por calor em 854 cidades e concluem que foi o verão mais mortal desde 2000. Cerca de dois terços das vítimas são atribuídas ao aquecimento causado pelos combustíveis fósseis.

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Cruz verde luminosa de uma farmácia presa a uma fachada, a mostrar +42 °C em letras vermelhas, numa rua com varandas envidraçadas
Termómetro de uma farmácia em Vitoria, Espanha, durante a onda de calor de julho de 2022. Centenoyespelta / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

As ondas de calor do verão de 2026 terão provocado mais de 50 mil mortes nas cidades europeias, o número mais alto desde pelo menos 2000. A estimativa vem de dois artigos científicos de investigadores do Imperial College London e da London School of Hygiene & Tropical Medicine, a publicar na revista Nature Health e noticiados na sexta-feira pela Associated Press e pela Lusa. Para Portugal, o estudo atribui 476 mortes ao excesso de calor entre junho e agosto. Quase dois terços do total europeu, concluem os autores, não teriam acontecido sem o aquecimento provocado pela queima de carvão, petróleo e gás.

Como se chegou aos 50 mil

A equipa analisou 854 áreas urbanas dos 27 países da União Europeia, do Reino Unido, da Noruega e da Suíça, que juntas representam cerca de 40% da população desses países. Como muitas mortes por calor não aparecem como tal nas certidões de óbito, os investigadores usaram registos de temperatura e um modelo estatístico que relaciona, para cada cidade e grupo etário, a temperatura com a mortalidade. Depois compararam o verão real com simulações de um mundo sem alterações climáticas, e a diferença é a parte atribuída ao aquecimento. O resultado foi de 50.391 mortes, das quais 32.619 ligadas ao calor adicional causado pelo homem.

Segundo a Associated Press, o valor fica 71% acima do pior verão anterior registado pela mesma equipa, o de 2022, com 29.480 mortes, e bem acima de 2003, com cerca de 28 mil. Os autores admitem que é uma subestimativa: fica de fora uma onda de calor mortífera em maio e tudo o que aconteceu fora das 854 cidades. Quando compararam os seus cálculos com as estimativas oficiais do Reino Unido para as ondas de calor de maio e junho, chegaram a 2.700 mortes em excesso, contra as 2.800 contadas pela agência de estatística britânica.

Quem morreu e onde

Itália foi o país mais atingido, com 13.303 mortes estimadas nas cidades analisadas, seguida de França (7.268), Espanha (6.824), Alemanha (6.340) e Reino Unido (4.354). Quase um terço de todas as mortes concentrou-se entre 17 de junho e 1 de julho, quando a temperatura média diária na região esteve mais de 5 °C acima da média de 1991 a 2020. Mais de metade das vítimas tinha 85 anos ou mais, mas o calor esteve também na origem de cerca de seis mil mortes de pessoas com menos de 65 anos, incluindo mais de 800 entre os 20 e os 44.

A parte das mortes atribuível às alterações climáticas tem vindo a subir, de cerca de 45% no início dos anos 2000 para 65% agora, disse à AP a autora principal, a climatologista Clair Barnes. Os 476 mortos estimados para Portugal referem-se só às cidades incluídas no estudo e não se comparam diretamente com outras contagens. A Lusa lembra que, segundo o Conselho Português para a Saúde e Ambiente, os episódios de calor de 2025 terão provocado 2.009 mortes em excesso no país.

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