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Carregar na rede pública: tarifa da rede MOBI.E desce 52% em 2027, mas só poupas 15 cêntimos por 100 km
A ERSE propõe cortar para metade a tarifa paga pelos comercializadores e operadores de postos ligados à plataforma da MOBI.E. Como essa parcela pesa só 1% a 2% do preço final, quase não se nota na conta. Explicamos o que pagas num carregamento e o que muda até 2028.

Carregar um carro elétrico na rede pública portuguesa pode ficar um pouco mais barato em 2027, mas a diferença vai passar despercebida a quase toda a gente. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) propôs, a 15 de outubro, cortar 52,1% nas tarifas que os comercializadores de eletricidade para a mobilidade elétrica (CEME) e os operadores dos postos (OPC) pagam pela utilização da plataforma da Entidade Gestora da Mobilidade Elétrica. Para os detentores de postos, a descida proposta é de 51,3%. A proposta ainda vai ao Conselho Tarifário, e as tarifas aprovadas entram em vigor a 1 de janeiro.
Porque é que metade a menos quase não se nota
Estas tarifas são uma parcela pequena do que pagas. Segundo a ERSE, vão representar entre 1% e 2% do preço final de um carregamento em 2027. O regulador fez as contas para um carro que gasta 15 kWh por cada 100 km e um carregamento de 11,5 kWh: a descida poupa 0,15 euros por cada 100 km. No mesmo exemplo, o custo médio fica em 7,32 euros por 100 km num posto normal, até 22 kW, e em 10,53 euros num posto rápido. São médias, e o preço real varia muito de operador para operador.
O comunicado mostra também como a rede cresceu. Em 2025 fizeram-se mais de 8,89 milhões de carregamentos em 23.156 pontos, e a ERSE estima cerca de 11,8 milhões em 2026, bem acima dos 6,58 milhões que tinha previsto. O regulador explica o desvio com o prolongamento do regime transitório, que se esperava terminar no fim de 2026, e admite muita incerteza para 2027, porque os operadores podem ir saindo da rede pública a ritmos diferentes.
O que pagas num carregamento
Para perceberes onde está o dinheiro, a ERSE divide a conta em duas partes. Uma é o serviço do CEME, a empresa com quem tens contrato ou cujo cartão ou app usas, que inclui a energia, as tarifas de acesso à rede elétrica e as tarifas da entidade gestora. A outra é o serviço do operador do posto, que pode cobrar uma taxa fixa de ativação, um valor por minuto, um valor por kWh, ou uma combinação dos três. Somam-se ainda impostos e taxas. É por isso que dois postos com a mesma potência podem ter preços muito diferentes, e que um carregamento lento num posto que cobra ao minuto pode sair caro.
Antes de ligares o carro, vale mais comparar o preço do operador e do teu CEME do que contar com a descida da tarifa. Se não tens contrato, a MOBI.E lembra que podes fazer carregamentos sem contrato prévio, pagando com cartão bancário físico ou digital através de uma página aberta por código QR.
O que muda até 2028
O regime jurídico da mobilidade elétrica foi revisto em 2025 e o período de transição foi prolongado até 31 de dezembro de 2027. Até lá, os operadores podem decidir desligar os seus postos da plataforma da MOBI.E, e nesses postos o cartão ou a app do teu CEME deixa de funcionar. A partir de 1 de janeiro de 2028, a entidade gestora desaparece e a MOBI.E recomenda que confirmes se o teu meio de acesso continua válido e quais as novas condições.



