NASA
Sonda Psyche liga os motores a xénon quase sem parar até 2029 para chegar a um asteroide que pode ser de metal
Depois de ganhar balanço em Marte, a sonda da NASA passou a acelerar 90% do tempo com propulsores que empurram com a força do peso de uma pilha. Pelo caminho, os engenheiros mediram pela primeira vez no espaço um efeito que faz a nave rodar sobre si própria.

A sonda Psyche, da NASA, entrou na fase mais longa da viagem. Desde 28 de setembro, os propulsores estão ligados quase sem interrupção e só param uma vez por semana para a nave falar com a equipa na Terra, contou a agência a 22 de outubro. Segundo Don Han, responsável pela navegação no Jet Propulsion Laboratory (JPL), os motores vão trabalhar cerca de 90% do tempo até à chegada ao destino. O alvo é o asteroide Psyche, na cintura principal entre Marte e Júpiter, onde a sonda deve entrar em órbita no verão de 2029.
Uma pilha AA de força, durante anos
A Psyche foi lançada em outubro de 2023 e, até agora, usou a propulsão só de vez em quando, para se pôr na posição certa para passar por Marte. Essa passagem aconteceu a 15 de maio, a 4.609 quilómetros da superfície, e a gravidade do planeta deu-lhe um empurrão de cerca de 1.600 km/h sem gastar combustível. Agora o trabalho é todo dos propulsores elétricos de efeito Hall, que usam campos eletromagnéticos para expelir iões de xénon, um gás inerte, e brilham num azul intenso.
A força de cada um é minúscula: até 250 milinewtons, mais ou menos o que sentes ao segurar uma pilha AA, compara a NASA. A nave tem quatro, que trabalham um de cada vez. Somada ao longo de meses, essa força leva a sonda a ultrapassar os 160 mil km/h em relação à Terra no ponto mais rápido da viagem. A energia vem de dois painéis solares em forma de cruz, com 75 metros quadrados ao todo. A Psyche partiu com 1.090 quilos de xénon em sete tanques e, em três anos, gastou cerca de um terço, o que chega para o resto da viagem e para os dois anos de missão científica em órbita.
Há um senão em depender do Sol. Steve Snyder, engenheiro de propulsão do JPL, explica que a sonda vai usar a potência máxima durante os próximos três meses e depois reduzir aos poucos até cerca de metade, porque os painéis recebem menos luz à medida que a nave se afasta.
Um efeito que só se mede no espaço
Os iões que saem dos propulsores rodopiam por causa do campo magnético e criam uma pequena força de torção, que acabaria por desviar a orientação da nave. Para a compensar, rodas de reação a bordo mudam de velocidade e absorvem esse movimento. A cada poucas horas, a equipa desliga o propulsor, roda a sonda e liga outro durante alguns minutos, a baixa potência e noutra direção, para descarregar o movimento acumulado. Segundo Snyder, é a primeira vez que alguém mede este efeito num propulsor de efeito Hall em função da potência e do tempo de funcionamento, e durante tanto tempo no espaço.
O asteroide Psyche tem cerca de 280 quilómetros no ponto mais largo e pode ser parte do núcleo metálico de um planetesimal, um dos blocos que formaram os planetas rochosos. Se a hipótese se confirmar, será uma forma de ver por dentro um corpo parecido com a Terra, onde o núcleo está fora de alcance. A sonda vai mapeá-lo em órbitas a diferentes altitudes a partir de 2029.



