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NASA avança com a SR-1 Freedom, a primeira nave com reator nuclear a sair da órbita da Terra rumo a Marte
A agência fechou os contratos do módulo que transforma o calor de um reator de fissão em eletricidade para os motores. A nave deve partir no fim de 2028 e largar três helicópteros sobre Marte, à procura de gelo debaixo do solo.

A NASA deu mais um passo na construção da Space Reactor-1 Freedom, a nave com que quer pôr pela primeira vez um reator de fissão nuclear a funcionar fora da órbita da Terra. Num comunicado publicado a 20 de outubro, a agência explica que fechou com os parceiros as alterações de contrato necessárias para acelerar o desenvolvimento do módulo de energia nuclear, a peça central da missão. O lançamento continua marcado para o fim de 2028, aproveitando a janela de partida para Marte desse ano. A chegada ao planeta está prevista para 2029.
Como funciona a nave
O módulo de energia fica na ponta de um braço comprido, afastado do resto da nave. Tem duas partes: um reator, que produz calor por fissão, e um sistema de conversão que transforma esse calor em eletricidade. O reator está a ser desenhado pelo Laboratório Nacional de Idaho, do Departamento de Energia norte-americano, e usa urânio pouco enriquecido de teor elevado (conhecido pela sigla HALEU). A conversão fica a cargo da empresa Sierra Lobo, que vai fornecer um sistema de ciclo de Brayton fechado capaz de gerar 20 quilowatts de eletricidade.
Essa energia serve para alimentar a propulsão elétrica, assegurada por um motor de efeito Hall de 12 quilowatts. A NASA vê nesta tecnologia o caminho para naves futuras que gastem menos combustível em viagens longas, incluindo missões tripuladas a Marte. Segundo a página da missão, a nave pesa cerca de 12.000 quilos e comunica com a Terra através da rede de espaço profundo da NASA. Quanto à segurança, a agência garante que o reator fica desligado até a nave deixar a órbita terrestre.
Três helicópteros largados em pleno voo
A SR-1 Freedom não vai aterrar. Ao passar por Marte, larga a carga científica SkyFall, com três helicópteros que descendem do Ingenuity, o pequeno aparelho que fez o primeiro voo controlado noutro planeta. A NASA planeia soltá-los ainda no ar, em vez de os pousar primeiro no solo. Cada um leva um radar que vê debaixo do solo, câmaras e sensores de temperatura e de vento. O objetivo é procurar gelo no subsolo, medir a que profundidade está e estudar zonas planas e baixas que possam servir para futuras aterragens com astronautas.
Voar em Marte tem vantagens e problemas. A gravidade é um terço da terrestre, mas a atmosfera tem apenas 1% da pressão que sentimos ao nível do mar, o que obriga as pás a trabalhar com muito pouco ar. A agência estima que os helicópteros possam funcionar durante meses e, possivelmente, anos.
A missão é também um ensaio para a Lua. A NASA quer usar o que aprender com este reator no Lunar Reactor-1, um sistema de energia nuclear pensado para manter a base lunar a funcionar nos períodos de escuridão e em locais onde a energia solar não basta. O local exato onde os helicópteros vão atuar ainda vai ser escolhido num processo de seleção que a agência diz estar a planear.



