TEKEVER
TEKEVER usou o drone AR5 para largar sonoboias e detetar alvos debaixo de água no exercício REPMUS
A empresa de origem portuguesa e a canadiana General Dynamics Mission Systems juntaram um drone, sensores acústicos lançados no mar e software de gestão de missões para seguir contactos submarinos, durante o maior exercício de sistemas não tripulados da Marinha.

A TEKEVER voltou a usar um exercício militar na costa portuguesa para mostrar o que os seus drones conseguem fazer no mar. A empresa de origem portuguesa e a General Dynamics Mission Systems-Canada anunciaram a 2 de novembro que detetaram alvos debaixo de água durante o REPMUS 2026, numa demonstração de guerra antissubmarina feita a partir de um drone. É o terceiro anúncio da TEKEVER em menos de um mês, depois da abertura da filial alemã, em Munique, e da venda de sistemas às forças especiais dos Estados Unidos.
O que é o REPMUS
O nome vem do inglês Robotic Experimentation and Prototyping using Maritime Uncrewed Systems, ou seja, experimentação e prototipagem de sistemas marítimos não tripulados. Segundo a NATO, a edição de 2026 decorreu entre 31 de agosto e 25 de setembro, com Troia como base, e juntou mais de 3700 participantes, 300 sistemas não tripulados, 60 empresas de investigação e desenvolvimento e representantes de 36 marinhas. A Marinha Portuguesa liderou o exercício, em coordenação com a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, o centro de investigação marítima da NATO (CMRE) e a Agência Europeia de Defesa, entre outros. Participaram também empresas do Reino Unido, da Finlândia, da Suécia e de outros países aliados.
Como funcionou a demonstração
Nas missões feitas ao largo da costa, o drone de asa fixa AR5 da TEKEVER largou sonoboias, sensores acústicos que ficam no mar a captar sons. Os dados recolhidos foram tratados pelo sistema de processamento acústico distribuído da General Dynamics, que tem sede em Otava, para detetar e seguir contactos submarinos. As deteções passaram depois para o ATLAS, a plataforma de gestão de missões da TEKEVER, e foram partilhadas em tempo real com o quadro operacional mais alargado do exercício.
As duas empresas descrevem o resultado como uma forma de ver ao mesmo tempo o que se passa acima e abaixo da superfície. Pedro Petiz, diretor da TEKEVER para Portugal, diz que os clientes precisam de juntar esses dois retratos na mesma missão. O comunicado não diz quantos alvos foram detetados, a que profundidade estavam nem durante quanto tempo foram seguidos.
Não é a primeira vez
A colaboração já vinha de trás. No REPMUS de 2025, também em Troia, a TEKEVER tinha usado o AR5 para largar sonoboias em conjunto com a filial britânica da General Dynamics, numa fase em que o objetivo, segundo a empresa, era explorar como transformar os dados acústicos em informação útil para quem decide. Na altura, a TEKEVER referia ainda um primeiro marco no lançamento de sonoboias alcançado no ano anterior. A diferença agora anunciada é a deteção efetiva de alvos e a ligação de toda a cadeia, do lançamento dos sensores à partilha dos resultados.
As empresas não divulgam se a capacidade testada já tem clientes nem quando poderá ser usada em operações reais. A TEKEVER diz ter mais de 1500 trabalhadores e instalações em sete países, incluindo Portugal.



